terça-feira, 26 de maio de 2026

Cancela

 




Teatro Municipal André Ribeiro Cancela.



https://www.matinaljornalismo.com.br/parentese/ensaio-parentese/ribeiro-cancella-o-velho-mestre-do-teatro/


domingo, 24 de maio de 2026

Praça Santa Isabel




 



Praça Isabel


Solo Sagrado.

Local de encontro,

de várias gerações

que vai temperado, 

na presente data,

de presenças mil.


Temos o vermelho,

o verde, o azul.

Temos o branco, o amarelo.

O preto, o cinza, o lilás,

enfim, são tantas cores

são tantas dores.


lives, transmissões ao vivo

registros fotográficos, selfs, ...

mídia impressa e mídia não impressa

A TV aberta elege nova pauta,

chega de intriga, denúncia e "ladaia".

 Respira.


Todos e todas (re) descobrindo a Santa Isabel.

Fazendo reverências (...)

Como é linda! (A dinâmica social).

A sociedade, falando:

O Centro da Velha Capital,

está sem ar, está morto, etecétera e tal.


A Cidade de Santa Isabel respira,

respira e recebe, cordialmente,

o que vem do norte e do sul.

O Isabelense, alegre e contente,

abraça e respira:

Bem Vindo! Bem vinda!


Atenção: namorados e namoradas,

vai ter festa no salão. Paróquia (Baile e janta)

Amor e Fé! Trabalho e Sé!

Falcão, cantando: pra quem tem fé,

a vida não tem fim (um livro sem final).

Isabel, isabelense, isabelando (Feliz Eleição!)




sexta-feira, 22 de maio de 2026

Direito Eleitoral

 


Acidente Aéreo

 





Acidentes aéreos acontecem com frequência,

 veja este caso recente.

 

Dois caças colidem durante apresentação.


        Dois caças militares da Marinha dos EUA colidiram no ar durante o festival aéreo Gunfighter Skies Air Show, no estado de Idaho. O acidente aconteceu no dia 17 de maio de 2026 perto da Base Aérea de Mountain Home. 

    Os quatro tripulantes — dois em cada aeronave — conseguiram se ejetar em segurança antes da queda. Todos foram resgatados e estão em condições estáveis. Os aviões envolvidos eram caças EA-18G Growler, especializados em guerra eletrônica, pertencentes ao Esquadrão de Ataque Eletrônico 129.


    O processo de ejeção é um choque violento para o corpo. Por isso, o piloto está altamente suscetível a lesões na coluna (Fraturas, hérnias de disco e compressão vertebral intensa devido à violenta força de aceleração). Pode ocorrer ainda  outros traumas como luxações nas articulações, lesões cervicais, estalos nos olhos e, em alguns casos, perdas temporárias de consciência no impacto, etc.


    Uma ejeção ou acidente aéreo deixa marcas psicológicas significativas. O estresse agudo e a vivência próxima da morte frequentemente geram sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade e medo. Acompanhamento psicológico intensivo é fundamental para processar o evento, recuperar a confiança e avaliar o estado mental do aeronauta antes de qualquer retorno aos céus.


        Cada aeronave tem um custo estimado em cerca de US$ 67 milhões (aproximadamente R$ 340 milhões). Após a batida asa com asa, os jatos caíram e explodiram em uma área aberta, gerando uma grande coluna de fumaça preta. Não houve registro de feridos na plateia. 

        O evento foi cancelado logo após o ocorrido e a base militar foi temporariamente fechada. Autoridades norte-americanas já abriram uma investigação oficial para apurar se o acidente decorreu de falha técnica ou erro humano durante as manobras. Relatórios do serviço de meteorologia apontaram que as condições climáticas no momento eram favoráveis e com boa visibilidade




domingo, 17 de maio de 2026

A teoria tridimensional do silêncio

 






A Teoria tridimensional do Silêncio



 (T. T. S.) 



Acompanhe a nova versão do texto:







    A intimidade subjetiva mais pura é profundamente silenciosa e desprovida de qualquer tipo de sonoridade, pois parte de instante uno, inédito e não cognitivo. Esse conjunto inicial de fatores se expande culturalmente e acaba por se desdobrar em sinais sonoros.



    Ah sociologia. Coitado do Weber. Atirou um “bote salva vidas” no rio, agonizante, quase sem ar, última janela de ar da sua vida e chamaram isso de sociologia. Maldade de algum burocrata carreirista (sentado), aguardando o próximo quinquênio. O fato é que a sociologia é “chapa branca” desde o seu nascedouro e me arrisco a dizer que a sua matriz não é laica, vide a obra do primeiro sociólogo - Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798–1857).



    Voltando para a civilização que a Europa inventou, necessário lembrar que vivemos o império da letra e o letramento é uma necessidade social imposta pelo ordenamento jurídico. De um lado as sagradas escrituras e de outro a constituição (ordenamento jurídico). Detalhe a se requerer lembrança está posto nas inovações que Lutero impôs ao texto sagrado primeiro, iniciando o evento social conhecido como reforma protestante.



    O direito ao silêncio é matéria constitucional, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo (vide o código de processo penal). Devemos lembrar ainda que o jargão popular diz: quem cala, consente. Aqui é como se ocultar-se seja sinônimo de romper regra do sistema. No entanto, o silêncio na situação de depoimento do réu não pode ser interpretado como confissão. Mais do que isso, pois confissão não é prova, ou seja, a produção de prova (processo penal) não se encerra com a confissão do acusado.



    Na fase do inquérito policial, por exemplo. Mesmo que o investigado assuma a autoria do delito, durante o processo de investigação policial, a regra é seguir o curso da investigação. Pois uma confissão abrupta pode estar sendo objeto de uma estratégia de encobrimento do verdadeiro autor da atividade criminosa. Não é o caso de aprofundar este debate, apenas exposto aqui para dizer que a palavra (verbo) pode ser instrumento das mais diversas estratagemas humanas (para o bem ou para o mal, mais coluna do meio).



     E por falar em sistema de justiça criminal, todos os documentos devem ser produzidos na língua oficial: portugues (Brasil). Sempre que houver a necessidade de transladar para outros sistemas de língua (estrangeira), é necessário a inclusão de tradutor juramentado previamente inscrito no tribunal. Ou seja, verifica-se que o ordenamento jurídico possui norma para a palavra e para o silêncio, mas isso não é tudo. A lei controla tudo, portanto a liberdade de expressão não é um direito absoluto. Dentro do sistema, há regras para falar e para calar. 



Vejam:



    Esse trabalho é inédito. Pesquisa científica recente, autoral e autêntica da pena de jacquesja. A inteligência artificial não sabe o que é a “Teoria Tridimensional do Silêncio” (T. T. S.), portanto nós temos que abastecer o sistema informatizado com o conceito que segue:











“A teoria tridimensional do silêncio estuda a relação do ser humano com a sua essência mais íntima. A subjetividade humana não cabe em si e extrapola os limites da matéria densa, quando não plasmada em palavras, silencia. Mas mesmo em silêncio comunica, interage e produz “provas”. Relação, intenção, potência criativa muito conhecida na poesia” (JACOMINI, 2024).











Detalhamento:



    O conceito de poesia já está gravado no sistema literário. Falta gravar o conceito de “Não Poesia” e o conceito de “Poesia Residual”. Esse é o nosso engenho no presente momento: demonstrar que a poesia é chão e a poesia residual é fruto, enquanto a não poesia é aroma. O livro e a literatura passam a ser lidos como uma linda árvore que merece ser abraçada, amada e vivida em sua plenitude, pois possui vida própria.



    Não estamos a propor apenas mais um “enlevo de poeta". Eles são importantes, mas neste momento promovemos um estudo que tem a finalidade de auxiliar as pessoas que estão vivendo algo análogo ao crime de prisão ao letramento e não percebem que pode haver “uma luz no final do túnel”. O letramento não é tudo e a ditadura da palavra pode ser abolida (ou reformada), a depender das possibilidades de vivências existenciais que pretendem vencer o convencional.







Avançando um pouco:







    O certo é que a academia está intoxicada de economia política e estamos a escrever uma nova página: Economia Cultural (assim como nos ensinou Max Weber filho). O exercício do poder político deságua na pena de prisão, fulcro do sistema de justiça criminal. O exercício da potência criativa, através da literatura deságua na poesia que acrescida da poesia residual e da não poesia dá origem a um novo sistema que pode ser apreciado através da teoria tridimensional do silêncio (T. T. S.).



    Imaginem os senhores (e as senhoras) no dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares. O estudante vai respirar mais aliviado, pois vai silenciar sem culpa. Vai conseguir entender que o inocente não precisa participar do processo inquisitorial presente na educação formal. Sabe aquela cena constrangedora e triste: O professor aponta o dedo para o aluno (geralmente o mais exposto, inadaptado, humilde e pessoa especial), fuzilando com uma pergunta que é instrumento de dominação (institucional legal).



    No dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares nós não estaremos mais aqui para presenciar o declínio da prescrição médica (armas químicas) para os “inadaptados”. Sendo honesto e sincero, você deve admitir que este sistema que está a operar é voltado para uma necessidade de mercado. Digo, possui uma finalidade econômica que drena o sistema econômico vigente (capitalismo) com mão de obra barata. O licenciado e o bacharel, ao final do curso, coloca o diploma na parede e vai ser mais um trabalhador precarizado (ou uberizado). 



    O atual sistema de ensino formal, não permite o ato criativo como regra, pois é exercício de poder (institucional legal) o tempo todo. A autoridade transborda na pessoa coatora (ato coator - direito) e gera o autoritarismo que virou regra, assim como o Estado de Exceção virou regra (golpe de Estado que se sucede o tempo todo). Para tanto é mais fácil a declaração: não houve golpe!



    Contudo, existe disposição de vontade para criar uma nova página na educação brasileira. Essa inovação passa por aqui e o estudo que propomos vem no auxílio do “inocente” que ainda não possui consciência do seu potencial criativo. Ele quer ser pleno e não consegue devido à repressão (maquinaria de poder institucional legal oficial). Se sair da linha vem a “palmatória”, a reprovação e na sequência a sentença penal condenatória. Primeiro reprime, cerceia a liberdade de expressão e a sentença penal condenatória aguarda quem avança na insubmissão. A regra é ser submisso e a exceção à regra é ser criativo.  Nós queremos inverter este quadro, através da educação.



    A liberdade de expressão está sendo filtrada por novos dispositivos tecnológicos que monitoram o cidadão e as suas opiniões na rede social, por exemplo, quando da emissão de declarações potencialmente lesivas ao sistema. Estamos saindo da fase dos “corpos dóceis" (FOUCAULT, 1974) para a fase das “consciências dóceis” (JACOMINI, 2026). Não podemos expressar opiniões que questionem o sistema em áreas sensíveis. Há um crescente processo repressivo em curso, a fim de salvar “as jóias da Coroa”. A sucessão de novos “Tipos Penais” surge neste contexto de controle social. Tudo se renova, menos o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73). Por quê?



quarta-feira, 13 de maio de 2026

Religião e religiosidade


 




Religião e Religiosidade


A questão é a seguinte: Existe diferença entre os termos e/ou denominações de religião frente ao exposto na religiosidade?


A principal diferença é que a região é a estrutura institucional e coletiva de crenças, enquanto a religiosidade é o sentimento e a prática individual de conexão com o sagrado. Uma pessoa pode manifestar religiosidade sem necessariamente seguir uma religião formal. 



Observe o quadro esquemático:



Critério                                  Religião                             Religiosidade

Natureza       Institucional, social e coletiva.                  Pessoal, íntima e subjetiva.

Componentes Dogmas, rituais oficiais, clero e leis.        Fé viva, reverência e intuição do mistério.

Forma Organizada através de templos e escrituras.       Expressa pelo comportamento e devoção diária.



O que define a Religião?


Instituição social: 

Funciona como um sistema organizado com hierarquias, regras morais e tradições históricas.

Acordo coletivo:

 Reúne uma comunidade de indivíduos que compartilham a mesma interpretação sobre a divindade.

Exemplos práticos:

 Grandes sistemas globais como o Cristianismo, o Islamismo e o Budismo. 


O que define a Religiosidade?

Sentimento inato: 

Representa a propensão humana de buscar transcendência e significado além do mundo material.

Prática da fé:

 Define o grau de compromisso e a profundidade com que um indivíduo vive aquilo em que acredita.

Independência institucional:

 Manifesta-se no respeito à vida e na espiritualidade ativa, mesmo fora de igrejas ou templos. 



Você pode visitar a página abaixo e visualizar casos práticos de pesquisa sobre o tema:

https://jacquesja.blogspot.com/p/trabalhos-acadmicos.html


segunda-feira, 11 de maio de 2026

POESIA

 




“Mesmo que seja oprimido

quem é poeta não se cala

consegue dizer cantando

o que o povo sente e não fala.”


Délcio DORNELLES


sábado, 9 de maio de 2026

O Mapa



O Mapa

Mário Quintana 


Olho o mapa da cidade

Como quem examinasse

A anatomia de um corpo...


(E nem que fosse o meu corpo!)


Sinto uma dor infinita

Das ruas de Porto Alegre

Onde jamais passarei...


Ha tanta esquina esquisita,

Tanta nuança de paredes,

Ha tanta moca bonita

Nas ruas que não andei

(E ha uma rua encantada

Que nem em sonhos sonhei...)


Quando eu for, um dia desses,

Poeira ou folha levada

No vento da madrugada,

Serei um pouco do nada

Invisível, delicioso


Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar,

Suave mistério amoroso,

Cidade de meu andar

(Deste já tão longo andar!)


E talvez de meu repouso...




https://www.escritas.org/pt/t/7954/o-mapa

Organismo

 




A Cidade viva


V I V E


a vida


de quem vive


aqui


na cidade.


- I S A B E L -


s


a


b


e


l

Xerazade

 

Mil e uma noites





sábado, 2 de maio de 2026

Paulina

 



Madre Paulina (1865-1942) 

Madre Paulina foi uma religiosa ítalo-brasileira. Primeira santa brasileira, foi canonizada em 2002, recebendo o nome de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Foi beatificada pelo papa João Paulo II, quando de sua visita à Florianópolis, Santa Catarina.

Casmurro

 





a cortina não fecha

a cena perdura 

e

eu

literatura

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cecília


 


Cecília


    A nossa proposta neste texto breve é convidá-lo para um momento de reflexão sobre a cultura, padrões culturais e a revolução de costumes. Vamos iniciar com três questões básicas:

1

O que é cultura?

2

Por que o McDonalds quebrou na Bolívia?

3

Por que é mais comum ser punitivista do que ser garantista?


    A Cultura pode ser analisada por diferentes aspectos. Elegemos o mundo do direito, a fim de desenvolver a nossa tese: Por exemplo, padrão normativo (Normas) que diz respeito aos costumes e leis. O direito consuetudinário (costumes) possui relação direta com o ordenamento jurídico (conjunto de normas).


    O garantismo penal, idealizado por Luigi Ferrajoli, é uma teoria jurídica que limita o poder punitivo do Estado, assegurando direitos fundamentais aos cidadãos. Busca o equilíbrio entre a eficiência na proteção de bens jurídicos e a proteção dos direitos individuais contra abusos estatais, fundamentando-se na estrita legalidade, presunção de inocência e devido processo legal. 

    Um defensor comprometido com o garantismo penal — baseado na teoria de Luigi Ferrajoli — atua para limitar o poder punitivo do Estado, assegurando que os direitos fundamentais do acusado sejam estritamente respeitados, transformando o processo penal em um instrumento de proteção, não de opressão. 

    Sua atuação é pautada pelo "Direito Penal Mínimo", onde a liberdade é a regra e a punição é a exceção, sempre sujeita a requisitos rigorosos. 

    A revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação, e não um recurso, destinada a corrigir erros judiciários em sentenças penais condenatórias já transitadas em julgado (quando não há mais recursos possíveis). Ela visa garantir a justiça, permitindo absolvição, redução de pena ou anulação do processo caso surjam novas provas ou erros graves. 

Principais características:

Quando cabe: Sentença contrária ao texto expresso da lei ou evidência dos autos, baseada em provas falsas, ou descobertas de novas provas de inocência.

Prazo: Pode ser ajuizada a qualquer tempo, mesmo após a extinção da pena ou morte do condenado.

Legitimidade: Exclusiva da defesa (réu, procurador ou defensoria), não admitindo a revisão pro societate (para aumentar a pena).

Competência: Julgada pelos Tribunais (TJ, TRF, STJ, STF). 

    Lembra que falamos no início sobre a relação entre costumes e direito? Então. Realizamos uma análise sobre o tema e escravos recentemente e o produto foi o artigo denominado:

    A Revolução dos Costumes e o Direito Constitucional brasileiro.

    A nossa proposta de trabalho inicia com uma questão aberta:

    Estamos vivendo a maior revolução de costumes na história da humanidade? Sim? ou Não ?

    Na sequencia, afirmamos: A guerra está em curso e estamos a investigar uma revolução que é distinta das demais, mas está presente e precisa ser abordada de forma correta, consciente e responsável. Devemos considerar que a sociedade está mudando de uma ordem baseada na tradição e na rigidez para uma ordem baseada na liberdade individual, na diversidade e na fluidez, exigindo que o Direito e a Filosofia se adaptem a um ritmo frenético de novos comportamentos.

    Para saber mais, visite o link abaixo:


https://jacquesja.blogspot.com/2026/04/a-revolucao-dos-costumes-e-o-direito.html


E a Cecília?

    Cecília é uma gatinha linda que foi abandonada na Avenida Plácido Motim. Atropelada próximo ao antigo “Dia” (Supermercado), enquanto procurava comida para os seus filhotes. Resgatada, tratada e amada, passou a integrar a nossa família.  Ainda necessita de cuidados especiais, pois mesmo após o tratamento médico veterinário, segue com sequelas do ocorrido no Bairro Cecília (Viamão/RS). Cecília é muito meiga, dócil e amorosa. Participa conosco deste momento literário, ronronando e pedindo: pai, acaba  logo este texto!  


quarta-feira, 29 de abril de 2026

A qui jaz


 


.Aqui

..jaz

...

_ q _ I   J _ z


Mário Quintana


G l _ n _ _   P _ r _ z


Glênio Perez


J _ q _ _ _ s  J _


jacquesja


Por uma cidade sem carroças!


seja meigo

seja tolerante

seja amoroso


Proteja!

Não mate!


sábado, 25 de abril de 2026

Estatuto do Índio (Lei 6.001/73)

 







Atenção


Abrimos uma nova página no blog:


Estudos Acadêmicos II


Link para o sítio:


https://jacquesja.blogspot.com/p/textos-academicos-ii_42.html


A nossa proposta é publicar textos ainda inéditos na internet. Acompanhe a seguir um extrato da publicação mais recente: Estatuto do índio: Tensões, permanências e temporalidades

 


“Estudo Jurídico da legislação especializada nas comunidades indígenas brasileiras:

 O Estatuto do Índio e a lacuna no monopólio do poder de punir estatal brasileiro”.


Jacques Jacomini



RESUMO

O presente artigo tem por objetivo estudar o direito indigenista brasileiro através do Estatuto do Índio. A investigação científica também busca relacionar o instituto conhecido como “A Cadeia do Índio” com o jus puniendi estatal, desde o artigo 57 da Lei 6.001/73. A metodologia empregada na pesquisa é de orientação qualitativa, através da análise de normas legais, estudo de jurisprudência e doutrina. Ao final e ao cabo, concluímos que a lei é válida e esta inserida em ordenamento jurídico com forte caráter protetivo no que concerne ao índio e as comunidades indígenas. 

Palavras-Chave: Lei 6.001/73, Cadeia do Índio, Estatuto do Índio, Direito Indigenista, Direito indígena.

 



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Fotolog

 






Você lembra deste período histórico?

Fotolog Terra?

Antes de sermos blog, éramos fotolog, ou seja, a muito tempo na estrada.


A Cidade de Viamão e as políticas públicas de proteção

 



O ano era 2012 e estávamos a trabalhar na defesa dos animais e do meio ambiente, exatamente como fazemos até a presente data. Houve uma publicação no Jornal "Diário de Viamão" que estampava a seguinte frase:

"Ninguém,

absolutamente ninguém,

faz nada pelos animais

 em Viamão"


Cristiano Abreu


Diário de Viamão de 12/01/2012

Página 06


A época, publicamos, juntamento com o texto, o link da matéria. Infelizmente a publicação não está mais disponível. O fato é que passados 14 anos estamos a questionar: o que mudou, desde então?

Segue sendo muito importante a política pública para o bem estar animal, mas nesse momento gostaríamos de chamar a atenção das autoridades para a questão da circulação de veículos de tração animal no meio urbano. Necessitamos de uma legislação específica para esta matéria.

Veja o que ocorreu com o caso do "Caramelo" (Cavalo - Ulbra). Atualmente um ícone de força e resistência. Penso que nós não podemos mais postergar essa matéria. Não podemos esperar mais 12 anos, chegar aqui e escrever novamente sobre este descalabro. Muito, provavelmente nem estejamos aqui para viver este período histórico.

Necessito do seu apoio e da sua sensibilidade, auxiliando nesta causa animal. Junte-se a nós. Vamos construir uma cidade mais humana e inclusiva para humanos e não humanos.

Namaste.


sábado, 18 de abril de 2026

A Dor da Cidade

 




A Dor da Cidade


A dor da Cidade,

Adormecida.

A dor da Cidade.

Dói, dói e faz doer.


A dor da Cidade.

Autor do delito, dorme.

Delega a terceiro,

essa dor não é minha.


Não faz doer,

coração de churrasco,

contrata carrasco.

A vítima (na churrasqueira) arde em chama.


Segunda feira

o caminhão do osso,

o dono do matadouro  (e do frigorífico),

essa dor não é minha. 


A Cidade sangra,

chora e implora:

chega de carroças.

Fora carroceiro (e o rodeio?).


A dor da Cidade.

Autor do delito, dorme.

Delega a terceiro,

essa dor não é minha.


Essa dor é minha.

Essa dor é tua que come 

coração assado no espeto.

Olha a praça cheia de lixo.


E a dignidade da pessoa humana?

Adeus Quintana,

Salve Collares,

Viva Glênio Peres.


A dor da Cidade.

Autor do delito, dorme.

Delega a terceiro,

essa dor não é minha.



.
..
...

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Mário Quintana


 


As letras do Quintana (encontram Elis e Adoniram)


X disse:

Mata!

Y responde:

Enforca!

Morte anunciada.

Biblioteca ferida de morte.

O Direito  a leitura na lona.

Elis canta:

"Táubua de tiro ao Álvaro,

não tem mais onde furar". (...)  


Créditos da imagem (do texto):

Realizada por jacquesja.

Proibida a reprodução.

Contexto: realizada no interior de um templo religioso (1998).




quinta-feira, 16 de abril de 2026

Porto Isabel

A Cidade de Porto Alegre


Nome do Autor: JACQUES JACOMINI


OS  PRIMÓRDIOS  DE  UMA  CIVILIZAÇÃO  NOTADAMENTE  MARCADA  PELA  FLUVIALIDADE  LOCAL.


A
relacao dos habitantes de Porto Alegre com o Rio Guaíba remonta um período histórico que antecede a configuração de uma cidade propriamente dita. Alguns historiadores, arqueólogos e antropólogos propõe pensar a região sobre a qual viria se formar a cidade de Porto Alegre desde o ano 3.000 a C. para falar dos “habitantes da região do Grande Lago.” Neste período é marcante a presença dos Povos Guaranis que com a sua cultura e a sua busca incessante da “terra sem males” deixam gravadas aqui as suas tradições as quais penetrariam na constituição da cidade de Porto Alegre, bem como na relação dos seus habitantes com o “grande lago”. São lendas, mitos e crenças, além de toda uma cosmovisão transmitidas por um arsenal histórico e cultural que simbolicamente falam o tempo todo para as novas gerações de porto-alegrenses.
Neste trabalho, propomos analisar um pouco desta relação dos habitantes da cidade com o seu rio (ou lago) [1], tentando perceber como ela acontece em determinados períodos históricos. Realizamos assim uma incursão pela espacialidade de alguns perímetros citadinos, quando, por exemplo, pensamos na lógica que determina a construção de um muro que vai dividir dois espaços urbanos: Caís do Porto e perímetro urbano ou espaço intra-muros e espaço extra-muros. Assim procedemos, pois acreditamos que “el interés del hombre pur el espacio tiene raíces existenciales: deriva de una necessidad de adquirir relaciones vitales en el ambiente que le rodea para aportar sentido y ordem a um mundo de acontecimentos y acciones.” (Norberg-Schulz, 1975)
Dentro da análise que aqui propomos, destacaremos qual a relação das construções subjetivas e simbólicas dos porto-alegrenses com as construções institucionais-legais acerca da necessidade (ou não) de um dispositivo de delimitação (ou proteção) cidade X rio. Trata-se da tentativa de mapear os contornos de uma Porto Alegre antiga, que guarda as lembranças de grandes enchentes, como a de 1941,  justificando a existência de um muro de proteção em contraste com uma Porto Alegre moderna que incorpora ao seu imaginário as “feições de crise e de medo” (Eckert, 1997) , oriundas de uma dinâmica citadina urbana contemporânea.











OS PRIMEIROS  PILARES  DE  UMA  CIDADE  NOTADAMENTE  FLUVIAL:  CONTEXTO  E  ASPECTOS  DA  CONSTITUIÇÃO  DA  PORTO  ALEGRE  ANTIGA (1752 - 1911)

“(...) O Porto, em que acreditávamos tanto, terminou em frustração, com o projeto de transformar-se em área de lazer. Os barcos e os tens nos abandonaram, dando lugar aos caminhões. A indústria fabril, depois de um ciclo de prosperidade, migrou para outras paragens. O capital internacional não acha muitos atrativos numa área de caminhos estrangulados e de comunicações roucas.”  (Franco, 1997)


A
chegada dos casais açorianos em 1752 marca o início da                 colonização do então Porto de Viamão (nome dado a um ancoradouro nos fundos da Sesmaria de Jerônimo de Ornellas, onde está agora a Praça da Alfândega). Instalados em casas de palha no local onde encontramos hoje a atual Praça da Alfândega, os casais vindos das Ilhas dos Açores inauguravam o que viria a ser “um arraial bastante fértil”. [2]
Neste período, a relação dos primeiros habitantes com o Rio Guaíba é bastante intensa especialmente por duas razões. Em primeiro lugar, pelo fato de terem chegado até aqui navegando pelas suas águas, portanto em um primeiro contato bastante emocional com o rio. Em segundo lugar, em razão de terem as suas primeiras sociabilidades definidas por um contato diário e intimo com o rio, pois as suas primeiras casas foram construídas nas suas margens. Neste local, passam a se desenvolver atividades econômicas voltadas para a dinâmica fluvial do Rio Guaíba como a construção de barcos e a comercialização de bens de consumo. A instalação da Alfândega em 1804 e a abertura dos portos em 1808 veio a incrementar estas atividades comerciais e a transformar Porto Alegre em um importante centro comercial. O crescimento do vilarejo, impulsionado pelas atividades econômicas locais, traz a necessidade de se ampliar o perímetro que circundava o centro comercial de Porto Alegre. Isto acontece pela primeira vez em 1850, quando o aterro proporciona a abertura de mais uma rua no centro comercial da cidade, atual rua Sete de Setembro. Este avanço sobre as águas só vai terminar em 1978, quando um outro grande aterro propicia a construção de dois grandes parques na cidade, Parque Marinha do Brasil e o Parque Maurício Sirotski Sobrinho.
Com o crescimento da cidade vieram os primeiros problemas ambientais observados já em 1866. Nesta época foi proibida a coleta de água no canal do Guaíba que começava a ter as suas margens poluídas pelos excrementos da população depositados diariamente pelos “cubeiros”[3] e por outros dejetos produzidos a partir das inúmeras atividades ribeirinhas. Juntamente com estes problemas ambientais, surgem as primeiras ocorrências de doenças contagiosas e pestes, como a epidemia de cólera que se abateu sobre a cidade entre 1875 e 1876. Assim passam a ser pensadas alternativas que colaborassem para o saneamento e a melhoria das condições de higiene do rio e das suas ribeiras.
Em 1911 surge uma alternativa entendida na época como uma proposta ideal para estas necessidades de melhoramento e saneamento do local, a construção do Caís do Porto. Assim, no mesmo ano, começa a ser construído o atual Caís do Porto de Porto Alegre que tinha dois objetivos em especial: Unificar a porta de entrada da cidade, melhorando o aspecto para quem aportava em Porto Alegre  e  higienizar / normalizar [4] as atividades econômicas locais, uma vez que nesta época, por volta de 1900, existiam mais de 30 trapiches na área central da cidade, onde eram desenvolvidas inúmeras atividades comerciais    Ao ser concluído, o novo porto, além de melhorar o escoamento da produção industrial crescente, enfim podia ser considerado como uma nova e ampliada porta de entrada da cidade que se construía e se pretendia grande e desenvolvida.
Em  1914, durante a implantação do Plano de Melhoramentos da Capital, elaborado pelo arquiteto João Maciel, Otávio Rocha dá mais uma passo decisivo em direção a esta preocupação da higienização da cidade criando um órgão público com este objetivo específico, a Diretoria de Higiene [5].
Na década de 20 a cidade havia crescido bastante, incrementado suas atividades industriais e comerciais, e o seu crescimento trazia mais um desafio a ser encarado pelos porto-alegrenses: aumentar a produção de energia elétrica que era insuficiente para atender a demanda crescente da cidade. Neste momento, mais uma vez o Rio Guaíba viria a fornecer e possibilitar as condições necessárias ao enfrentamento deste problema. Cederia as suas águas para duas atividades essenciais ao funcionamento da Usina Termelétrica do Gasômetro:  por elas embarcações trariam o carvão a ser ali processado e, ao mesmo tempo, as suas águas eram usadas para refrigerar os condensadores da usina, atividade que exigia uma grande quantidade de água.
A relação do porto-alegrense, especialmente o morador do centro da cidade, com o Caís do Porto e com o Rio Guaíba viria a se transformar bastante a partir de 1971. A intima relação e a extensa interação dos moradores da cidade com o “Grande Lago”, observados desde os seus primórdios, passa a ser cerceada pela construção de um extenso muro de concreto na Avenida Mauá [6]. Concluído em 1974, gestão do prefeito Telmo Thompson Flores, o muro abre uma série de questionamentos e debates a cerca da sua funcionalidade e necessidade travados entre os porto-alegrenses desde então. O principal questionamento que está colocado no imaginário dos moradores mais antigos passa pelas lembranças e pela percepção de uma cidade antiga voltada para o seu rio e uma cidade moderna que renegou o seu passado fluvial e assumiu uma dinâmica citadina moderna, delineada pela velocidade dos automóveis.
 Os depoimentos de alguns moradores remontam lembranças dos estragos provocados pela enchente de 1941 [7], mas não a transformam estas lembranças em uma razão lógica para a existência do muro que viria, supostamente, proteger a cidade de outras inundações semelhantes a ocorrida em 1941.
Na tentativa de ultrapassar um pouco a narrativa estritamente histórica e documental e perceber outros aspectos que estes documentos não nos possibilitam acessar, passaremos a descrever uma etnografia de rua que realizamos no Caís do Porto. Caminhando, etnografando e explorando os atuais atores sociais do atual Caís do Porto, levantamos alguns dados ainda inéditos neste esforço de mapear a relação do porto-alegrense com o seu rio, segundo a evolução e desenvolvimento de uma cidade notadamente marcada por uma dinâmica fluvial.

    







UM  OLHAR  ETNOGRÁFICO  SOBRE  A  ATUAL  DINÂMICA VIVENCIADA  NO CAÍS  DO  PORTO  DA  CIDADE  DE  PORTO  ALEGRE: Caminhando pelo o que restou de um período de pujança e desenvolvimento de uma cidade outrora voltada para o seu rio.


A
 minha observação inicio a partir do momento que me aproximo do Largo Glênio Peres e arredores do Mercado Público de Porto Alegre. Ao passar pelo largo, observo muitas pessoas que circulam pelo local com toda a “pressa” originária de um grande centro urbano. Apesar da “pressa” (ou aparente falta de tempo), algumas pessoas param e ficam observando os “artistas” que atuam naquele local. Destacaria o tradicional vendedor de remédios naturais que, com recursos diversos (aparelho de som, animais exóticos como cobras, apelo teatral e dramático), tenta vender os seus produtos no Largo e nas praças da cidade, sendo assim já bastante conhecido da população; e um músico que tocava violino, utilizando alguns recursos sonoros como caixas de som e amplificadores, chamando bastante a atenção das pessoas que por ali passavam. Pude observar o Mercado Público que, totalmente restaurado, estava enfeitado com painéis e desenhos alusivos a Primeira Bienal do Mercosul, evento cultural que tem mobilizado muitas pessoas na capital. Vencido o Largo, nos aproximamos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, passo a me encomodar um pouco com o grande fluxo de pessoas e procuro então me afastar das ruas mais centrais, andando em direção a Avenida Mauá, onde se encontra o Caís do Porto, ponto que escolhemos para iniciar a nossa etnografia de rua. A tentativa de evitar o grande fluxo de pessoas, afastando-me das ruas centrais, e caminhando pela Av. Mauá não foi muito promissora, pois também ali o tráfego estava complicado, principalmente em função de alguns caminhões que descarregavam cargas nas proximidades do Prédio dos Correios e Telégrafos prejudicando assim o trânsito de pedestres naquele local. Passo a mapear os principais vizinhos do Caís do Porto, dentre eles os Correios e Telégrafos, Secretaria da Fazenda, Delegacia Regional do Trabalho, terminais de ônibus coletivos urbanos de Porto Alegre e grande Porto Alegre (Viamão) e o Instituto Santa Marta (SUS).
A travessia da Av. Mauá (em direção ao Cais do Porto) é, sem nenhuma dúvida, “uma manobra bastante arriscada”. Neste local o trânsito de veículos é muito grande e a velocidade média dos automóveis, caminhões e coletivos também é alta em função da avenida ser extensa (uma grande reta),  larga (com 3 faixas de rolagem) e não existir nenhum dispositivo inibidor da velocidade (com exceção do semáforo). Existe uma faixa de segurança e uma semáforo quase em frente a entrada principal do Caís do Porto, o que, teoricamente, facilitaria a travessia dos pedestres, no entanto nem sempre é bem assim. Os motoristas costumam aproveitar ao máximo o tempo destinado para a sua travessia, transitando no momento em que o sinal fica no amarelo e até nos primeiros instantes em que o sinal aponta a cor vermelha, ou seja, propõe a sua parada e permite a passagem para o pedestre.  Portanto, o fato de o sinal estar apontando a travessia para o pedestre (vermelho para os motoristas) não representa uma situação de travessia segura para este. Uma outra situação que representa bastante risco para o transeunte que decide atravessar a Avenida é aquela em que o sinal muda quando o pedestre encontra-se no meio ou quase no final da travessia da Avenida. Neste caso, a pessoa precisa correr ou pular a fim de que não sege apanhada por um veículo, pois observei que os motoristas decidem aproveitar ao máximo todos os segundos destinados a sua travessia, não abrindo mão assim dos primeiros instantes da exposição do sinal verde, mesmo que o pedestre ainda se encontre no meio da sua travessia. Em resumo, atravessar uma avenida no centro da cidade não é uma tarefa muito fácil e nem muito tranqüila, pois exige do pedestre bastante atenção e perspicácia para perceber o momento exato que a travessia pode ser realizada sem nenhum risco para a sua segurança pessoal. Esta situação pode ser bem mais problemática para os idosos, crianças, gestantes e deficientes físicos por razões óbvias.
Vencida a travessia da Avenida Mauá, entro no portão principal do Caís do Porto. Entrando, a minha esquerda, encontro o posto da guarda portuária, onde um cidadão faz a segurança no local. Decidi solicitar informações sobre como deveria proceder para realizar a visitação naquele local. Fui informado que deveria me dirigir ao prédio da administração do Porto, onde deveria solicitar uma autorização (por escrito) para realizar a visita. Assim procedi, subindo ao quarto andar do prédio apontado pelo guarda, onde em contanto com a funcionária Dulce consegui a permissão, após ter me identificado e externado o objetivo da minha visita naquele local. De posse da autorização, me dirigi ao portão de acesso do Caís, apresentei a autorização para um outro guarda que a reteu, permitindo a minha entrada e informando que eu poderia visitar todo o Caís em sua parte em que estava a minha direita, e a parte que ficava a minha esquerda não poderia ser acessada por ser “área operacional”, palavras dos funcionários para referir a parte onde existe intensa atividade de carregadores, guindastes, carga e descarga de containers, etc.
Neste momento, já na beira do Rio,  acontece o meu primeiro contato com algo que me acompanharia, ou até me indicaria uma determinada trajetória nesta visita ao Cais do Porto do Rio Guaíba, os trilhos utilizados para a locomoção de algumas  máquinas e/ou guindastes que não saberia precisar em detalhes neste momento. Observo que estes trilhos estão sendo usados pelos guindastes que estão a minha esquerda (lado Operacional). Na minha direita os trilhos continuam existindo, mas parecem não estar sendo usados para o deslocamento dos guindastes observados a minha esquerda , fato que me leva a supor uma provável restruturação físico-espacial deste local, pois a existência dos trilhos no meu lado direito supõe a existência destes mesmos guindastes operando em um outro momento (outra época e organização deste espaço) anterior a este.    
A minha direita, tenho o Barco Cisne Branco ancorado com alguns homens no seu interior, parece que trabalham e organizam algumas coisas no barco. Observando o barco estão um grupo de alunos de uma escola que realizam uma visita ao Caís. Fotografam e são fotografados, conversam com os seus professores sobre o barco, sobre o rio, ... parecem estar gostando bastante do passeio, pois aparentam muita satisfação, descontração e interesse por tudo o que vêem ao seu redor. De fato, penso que nem poderia ser diferente, entre outros motivos, por estarmos vivendo um dia muito ensolarado, com temperaturas altas, céu claro e uma brisa gostosa a sombra.
O Barco Cisne Branco traz um sistema do som que ligado, espalha pelo ambiente músicas veiculadas por uma rádio local da cidade de Porto Alegre. Esta sonoridade traz, segundo o meu entendimento, consigo uma sensação de descontração para as pessoas que visitam o local.
Olhando para o interior do rio, vejo a primeira embarcação que circula pelo local, ela traz uma carga de areia e se desloca lentamente pelas águas calmas do Rio Guaiba. Na mesma direção podemos observar o topo de prédio que se encontra na Ilha do Presídio, ponto próximo ao Cais.
Ainda a minha esquerda, após passar pelo barco Cisne Branco, encontro trabalhadores que descarregam determinada carga de uma carreta estacionada neste local.
Vou caminhando a fim de explorar a região que me foi permitida o acesso, ou seja, lado direito de quem entra no portão principal do Caís do Porto. Após passar pelo primeiro armazém B1 (no seu interior estão grande rolos de papel, e pequenos pacotes também de papel), onde trabalhadores trabalhavam na descarga de determinado produto, me encontro nos fundos do prédio da administração onde a bem pouco tempo estava solicitando a autorização para realizar esta visitação. Após este prédio, passo por um outro armazém B2 fechado e sem nenhuma movimentação de pessoas.
Estacionado neste local duas grandes carretas com cargas que parecem ser grandes transformadores de energia elétrica. Os caminhões que puxam a carreta são caminhões do tipo “fora de estrada”,  realmente muito grandes e contam com sinalizações especiais que chamam a atenção para o seu excesso de largura e comprimento (diante das dimensões normais utilizadas pelos veículos tradicionais). Ao me aproximar de uma das carretas, vejo que a altura  das rodas chegam próximo ao meu ombro. Como tenho 1,76 m de altura, a altura das rodas chegam a, aproximadamente, 1,40 m, são, portanto bastante expressivas.
Após as carretas, vejo mais três supostos transformadores colocados em linha, os quais suponho estarem esperando para serem carregados. Faixas estão colocadas nestes transformadores estampando o nome da empresa de destino (ou de origem), COENSA.
Olhando a minha esquerda, avisto a Ponte do Rio Guaíba (em direção a cidade de Guaíba) e algumas ilhas do mesmo rio. Na minha frente mais um prédio, onde leio Fundação Nacional de Saúde (Vigilância Sanitária), local onde funciona algum setor deste órgão.
Logo a minha direita existe um portão  que encontra-se aberto e dá acesso ao Caís do Porto. Ao contrário do portão principal, neste não existem guardas nem outro tipo de segurança que dificultem o acesso. Passo pelo portão e começo a percorrer a rua que é paralela ao rio, no interior do muro da Mauá, ou seja, entre o muro e o rio.
Percorrendo esta rua chego ao primeiro (de uma série) ancoradouro na seqüência de quem vem do portão principal do Caís do Porto em direção a cidade de Canoas. O primeiro é um ancoradouro onde encontramos apenas alguns barcos de pequeno porte. Neste local existe uma placa onde leio: “Grêmio Náutico União, Estação Fluvial Nilton Silveira Neto, Embarque, Sede Ilha do Pavão”. Nas proximidades do prédio do Palácio do Comércio, me deparo coma estação dos bombeiros. Na parede está estampada os símbolos e uma mensagem (ou lema) do 3o. grupo de bombeiros da brigada militar : “Homem do salvamento, estar seguro, trabalhar com segurança, produzir segurança, mais do que um lema, uma filosofia em ação.”
Passo a perceber que, em verdade, o Caís do Porto possui toda uma cultura muita própria e muito sua. Cada ancoradouro, cada espaço ou cada ator social que aqui atua está inserido numa lógica e numa racionalidade que para ser percebida em sua integralidade demandaria uma investigação muito mais minuciosa e elaborada do que por ora realizo. É um pouco óbvio o que estou afirmando, no entanto é interessante de registrar esta minha percepção de que somente um envolvimento e uma interação maior com este local me permitiria perceber e reconstruir a “subjetividade portuária”, fato que nos revelaria  em detalhes a verdadeira dinâmica, a real estruturação, organização e normalização deste “espaço não - urbano” da cidade de Porto Alegre.
Voltando a descrição físico-espacial do lugar, me aproximo do prédio C3, onde leio garagem e oficina APPA - Portão 01.  Atento para a cobertura da rua que estou percorrendo que é de pedras do tipo paralelepípedo. Caminho no sentido centro bairro (no caso Centro de Porto Alegre - Canoas) e a minha direita tenho um trilho (o mesmo que começou o seu traçado logo na entrada do Caís) que percorre toda a rua, decido seguir a sua trajetória, pois percebo que ,apesar de estar atualmente em desuso, este trilho já representou uma determinada dinâmica de trabalho do Caís do Porto. Seguí-lo, ou percorrê-lo é atitude óbvia para quem tenta perceber o que este trilho e o que este chão podem estar querendo “falar” para quem o “escuta” (ou quem com ele dialoga). Avisto o prédio C4 que tem as portas abertas e máquinas no seu interior, no entanto não existe movimento de trabalhadores neste momento (viria a saber, mais tarde que o que estava aqui acondicionado era sal). Uma placa estampa a mensagem “Proibida a entrada” ao lado deste prédio (na verdade estas placas foram encontradas em vários locais do Caís, denotando as estratégias de contenção e normalização deste espaço, porém nem sempre elas pareceram atuais e operantes). Percorrendo mais um trecho da rua chegou a um outro ancoradouro (02) onde estão atracados navios de grande porte, Navio Taquari, Itapuã, ...  Fiquei tão impressionado com o tamanho das embarcações que passei a tentar quantificar o seu tamanho: eles teriam, aproximadamente, uns 10 metros de largura e uns 30 de comprimento. Neste mesmo ancoradouro, observo várias outras embarcações de menor porte que as três anteriores, apresentando um péssimo estado de conservação o que permite suprimir até que elas estão totalmente fora de atividade.
Continuo caminhando, em certo momento o capim esconde os trilhos e passo a pensar se estou seguindo a trajetória dos trilhos ou são os trilhos que acompanham a minha caminhada ? A resposta não é minha neste momento. Avisto um outro prédio que está mal conservado e tem escrito em suas paredes anúncios de venda de gelo.
Me aproximando da Elevada da Conceição, olho para o muro que separa a cidade do Rio e percebo a “força” deste muro. É realmente um aparelho delimitador espacial que remonta a perspectiva da percepção “intra-muros” e “extra-muro” como a que já trabalhei em casos de realidades institucionais do estilo manicomial. Em outras palavras, a cidade está excluída deste espaço e vice-versa, o que nos coloca claramente a necessidade de se separar o que é urbano do “não - urbano”, ou a lógica urbana da lógica “não - urbana”. Este é um ponto (espacialidade do Caís) de análise deste local e desta lógica local que demandaria também um esforço maior de análise e de interação, como já havia afirmado antes. Nas proximidades da Elevada da Conceição observo uma espécie de portão (na extensão do muro) que parece não ser utilizado visto a suas características de conservação e dos capins que o entornam.
Caminhando mais um pouco avisto um outro prédio onde leio: Centro Integrado de Comercialização agrícola e, novamente, Venda de Gelo. Este prédio está desocupado e desabitado, além de mal conservado como o anterior. Ao lado do muro encontro bastante lixo neste trecho da caminhada, parece que na medida em que nos afastamos do portão principal do Caís do Porto aumenta o desleixo, a sujeira, a má conservação dos prédios, inexistência de atividades nos prédios, etc. Ou seja, na medida em que nos afastamos do “centro” deste local o que era belo, policiado e bem cuidado agora é o oposto de tudo isso.
Chego ao terceiro ancoradouro  e observo alguns barcos de grande porte. Uma das embarcações é parecida com as que carregam areia, não sei exatamente o nome específico. Posso perceber,  então,  mais um bloco de prédios que é o (c6), onde observo algumas caixas garrafas de bebidas sendo transportadas. O  prédio ao lado esta aparentemente sem atividade, não tem pessoas que circulam ou que estão trabalhando neste local. Alguns carros passam por mim e suponho que são funcionário que, nesse momento são 11:25,  estão talvez indo para de almoço. Me encontrava agora nas proximidades da rodoviária e da elevada da Conceição. Passo a ter  a impressão que esta estrada vai mais longe do que eu imaginei, portanto seria necessário ter uma condução para explorá-la em toda a sua extensão.
Tenho a minha direita o terminal do trensurb pessoas onde aguardam a chegada do trem. Me parece que este seria o terminal Estação Rodoviária. Vejo dois caminhões  velhos  estacionados ao lado do referido prédio. O Trensurb acaba de chegar no terminal e as pessoas que o aguardavam passam a trafegar nele. Neste momento, passo por cima dos trilhos  que me eu estava acompanhando, (ou dos trilhos que acabaram por definir a minha trajetória, ou trilhos me trouxeram até aqui, ou ...) ou seja eles cruzaram a rua em direção ao rio. Neste momento fico admirado com o que estou vendo:  uma caminhão, do tipo tombadeira, estaciona ao lado do prédio C6 e operários colocam  caixas de garrafas de vidro neste caminhão e ficam quebrando as garrafas.  Parece que garrafas de vidros   realmente não são mais importante, pois estão quebrando e colocando dentro da tombadeira.
Sinto a necessidade curiosidade de adentrar e explorar mais essa estrada que continua a minha frente, porém vou retornar, até porque os trilhos  me trouxeram até aqui. Neste momento acontece algo muito interessante: vejo um senhor sair do prédio onde os operários quebravam as garrafas e decido passar a caminhar ao seu lado conversando com ele (em direção ao portão principal do Caís, ou seja, retornando), a fim de conhecê-lo e, ao mesmo tempo, conseguir algumas informações sobre a dinâmica do Caís que se apresentavam como uma incógnita para mim. O diálogo foi mais ou menos este que passo a transcrever:

Jaques: Bom dia, tudo bem?
Sanislau: Tudo bem
J - O Senhor trabalha aqui?
S - Sim, sou vigia. Há muitos anos.
J - Antes do Trensurb já tinha o muro ?
S - Estão para derrubar, isso deixa a cidade feia.
J - afastou as pessoas do rio?
J - Claro, vê só, isso ai está tudo parado (aponta para os barcos atracados), não trabalha mais, de dois em dois anos tem que fazer vistoria, pintura nova, trocar a chapa.
J - Como faz para pintar, tem que tirar da água, onde é feito isso ?
S -   no estaleiro Só, na Ilha da Pintada. Se derrubassem esse muro voltava as pessoas a conhecer mais, ... Tem um projeto para ser derrubado
J - Devem ter medo de dar um enchente que possa inundar a cidade ? Em 1941 o senhor estava aqui ?
S - Lá na rua da praia tinha água.
J - Até hoje estão com medo, quanto tempo faz?
(...)
S - Esses bombeiros atende mais é salvamento. Esses barquinhos pequenos são para passeio o para os pescador
(...)
S- São de pescador
J - Esses caminhões recolhem o peixe ?
S -Levam para o mercado
J - Será que da peixe bom, e pode pescar ?
S - pode tem que ter a licença.
J - Aquela ilha que se vê é a ilha do presidio?
S -  era uma deposito de pólvora
J - Foi ali que prenderam os presos políticos em 64?
J - Guardava armamento, e o senhor estava indo para onde ?    
J - E estes trilhos ?
S -  Buscavam as cargas dentro do armazém.

Foi uma conversa muito interessante de, aproximadamente, 20 minutos com um cidadão de aparentemente 60 anos que me deu informações preciosas sobre o Caís do Porto e parte de sua dinâmica. Após a esta caminhada de retorno, encerrei a minha observação.






[1] Segundo denominação geográfica, lago pois une dois grandes volumes de águas navegáveis, o Rio Jacuí e a Lagoa dos Patos. O Jacuí desce em turbulência de sua nascente localizada no Planalto, cerca de 400 metros acima do nível do mar. Ao atingir a Depressão Central, a 100 metros de altitude, suas águas correm para o leste e vão diminuindo a velocidade, de acordo com o suave declive da planície. No trajeto final, próximo a Porto Alegre, o Jacuí recebe as águas do Taquari, do Caí, do Sinos e do Gravatai, formando um delta, uma enorme bacia de decantação onde se acumula a terra arrancada das encostas do Planalto. Essas águas calmas e barrentas são despejadas no Guaíba, apenas cinco metros acima do nível do mar. O Guaiba desemboca na Lagoa dos Patos que lança suas águas no Oceano Atlântico, 250 Km ao sul.
[2] Expressão usada na primeira referencia registrada em documento sobre a povoação que se formava no então Porto de Viamão, a qual se desenvolvia rapidamente para os padrões da época.
[3] Cubeiros - indivíduos que carregavam e limpavam os “Cubos”, recipientes onde eram armazenados os excrementos das residências mais abastadas. Uma vez cheios, eram levados até as margens do rio pelos escravos (e depois pelos funcionários da prefeitura que assumiram este serviço) e ali descarregados e lavados para voltarem a ser utilizados nas residências.
[4] Um relatório da época dizia: “É preciso melhorar o porto tanto do ponto de vista econômico como estético e sobretudo higiênico.”
[5] O princípio de “isolar espacial e temporalmente implica reunir ordenadamente”, difundido pelo movimento que se conhece como “medicalização (ou normalização / higienização) das cidades” observados no Brasil durante a segunda metade do século passado é abordado de uma forma bastante interessante pur Roberto Machado Et All  em “Danação da Norma : Medicina Social e Constituição da Psiquiatria no Brasil”.
[6] Alguns historiadores sustentan que de 1773 a 1778 teria sido construído uma grande muralha na cidade, com o objetivo de proteger os seus habitantes dos invasores espanhóis. O suposto muro percorreria as atuais ruas Washington Luís, Riachuelo e Pinto Bandeira, com começo e fim à beira d’ água. O portão desse muro ficaria ao lado do lugar onde agora está o Viaduto Loureiro da Silva.
[7] A maior enchente da história da cidade de Porto Alegre que trouxe muitos danos e transtornos para os moradores e para os seus patrimônios pessoais.
  O primeiro registro de enchente em Porto Alegre é de 1833. Outras aconteceram em 1841, 1847 e 1850, mas nenhuma delas foi como a de 1873 que desabrigou famílias às margens do Guaíba e do Riacho. Mais sete aconteceram em 1897, 1898, 1905 e três em 1912 e se chega então a maior de todas, a de 1941, considerada uma catástrofe como definida pelos jornais da época. Na enchente de 1926 começaram as medições. Naquele ano a precipitação foi de 313,7 mm; na de 1928 foi de 225,5 mm; na de 1936 foi de 316 mm e na de 1941 foi de 619,4 mm, a maior de todas.