quarta-feira, 24 de junho de 2026

Chuva de João

Veja

Publicação de jacquesja.blogspot.com

Na luta por uma educação mais inclusiva e democrática.




 A Ilha X Arquipélago






                                                                      “A ciência vive


                                                                      na vida


                                                                      do cientista vivo


                                                                     que pulsa letras 


                                                                    jurídicas


                                                                    e não jurídicas”. 


                                                                    (Jacomini, 2024)






01


        A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).


    02


        A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes, etc)?


    03


        Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?


        Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)


        Vamos cantar?!?!




Chove chuva


chove sem parar.


Chove chuva


Chove sem parar (...)




    A memória inicial, desde “A Casa de Cinema de Porto Alegre” remete ao “produto cultural” conhecido como o documentário “A Ilha das Flores” (Jorge Furtado, 1989). E o “produto intelectual” dos acadêmicos (máquina pública federal) estão a produzir (exatamente) o que?


    Gente.


    Vejam.


    Com a devida vênia.


    O inverno iniciou (em breve vai soar a sétima Lua).


    Você está com os pés aquecidos, a lareira ligada e a despensa repleta de provimentos. Dito de outra forma, se a guerra continuar, não muda muito o cenário para os abastados. E a plebe? E o descamisado? E o Cadúnico? Como estão os que não tiveram a oportunidade de avançar e foram retidos na seleção estatal - “funil furado oficial”?


    A Ilha da Magia produz pérolas (com ou sem a luz do luar). A maior contribuição do momento para pensar a academia e os seus paradoxos surge na pena de um ilhéu. A “Revolução Brasileira” já ocorreu ou vai ocorrer? Como e quando, eu não sei. Vou permanecer na estrita seara do meu próprio curto conhecimento.


    A palestra que eu ouvi (assisti e curti) fala de uma necessária discussão e de um debate urgente a se realizar sobre o ensino superior que nós queremos construir para o próximo período republicano brasileiro. A atual universidade pública é potente o suficiente, a fim de responder às novas questões e os novos desafios da nossa sociedade? O ensino superior está a contribuir com a nação brasileira e as suas demandas fundamentais? A produção científica oriunda do financiamento público apresenta um saldo positivo no contexto das necessidades estratégicas de um país continental, diverso e rico como é o Brasil?


    A palestra do professor Nildo (Federal de Santa Catarina) foi excelente. Claro que o seu viés doutrinário atrapalha um pouco, embaça o entendimento de algumas questões e não é nota dez devido a exclusão do pensamento weberiano que é fundamental para pensar o Brasil, o Estado de Direito brasileiro e a burocracia estatal tutelada pelo Ministério da Educação, etc. Mas a questão que ficou para este modesto pensador que vos tecla é a seguinte: E o RS? Saímos da ilha e acaba o debate? O que os intelectuais do extremo sul do Brasil estão a pensar e a debater nesta virada de chave (eleição geral)? Vamos lotar o ILEA? (O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo)


    Eu vou ser bem sincero: na medida em que avançamos para o extremo sul, o frio aumenta, a presença da água líquida solidifica, a neve vira boneco (para quem consegue desfrutar dos benefícios da serra), os corpos afetados pelos músculos contraídos pelo frio, enfim o cenário não favorece a navegação. E o cérebro - as cabeças pensantes - também são afetadas pelas baixas temperaturas? E por falar em gelo, lembrei do Ramil e as suas “janelas de ar”. Se não me engano, foi no “A estética do frio” que ele fala em … Deixa pra lá. Veríssimo.


    A próxima obra a aportar aqui no "Porto Isabel" vai ser solo (de clarineta). Érico Lopes Veríssimo não frequentou os cursos de mestrado e doutorado na federal. Mas quem se importa com Érico? Quem está lendo atualmente o livro: “Gato Preto em campos de Neve? Quem canta com Ramil? (A Canção Joquim?). Guma ainda está no mesmo lugar? E quem se importa com as artes no Vale? Tudo bem! Vamos voltar para os cabedais (ritmo e tom doutoral).


    Gente!


    Presta atenção!


    A palestra do professor (doutor) Nildo é muito importante. Não é importante apenas para A ou para B. É de suma importância para o futuro da nação brasileira. Lembrei do professor (doutor) Gabriel Cohn (USP) dizendo: ah! O (Velho) Weber estava preocupado com o futuro da Alemanha, da unificação do Estado Alemão, de que tipo de cidadão iria contribuir com a hegemonia da cultura alemã no mundo. Tudo isso é verdade, mas ainda há muito silenciamento em relação ao Weber filho. Nada é dito sobre o Weber pai, por exemplo. Nada é dito sobre a Helene Weber (mãe), por exemplo (2). Poderia falar ainda no Otto Baumgartehn (primo) na Ida Baumgartehn (Tia), na orientanda predileta xxxxx (doutorado) e em muito mais do que chega para nós no Brasil sobre essa personalidade acadêmica magnífica, mas vou resumir tudo em uma frase (depois voltamos para a ilha):




“que homem é preciso ser


 para adquirir o direito


 de introduzir os dedos


 entre os raios da roda


 da história” 




(Weber, 1909)


Ciência e Política - duas vocações. Página 105 no nosso exemplar.




        Atenção: para saber mais sobre este ponto, ler a página 264 do livro "Weber - uma biografia" de Marianne Weber. O próprio Weber se declara um "nacionalista econômico" e descreve a política econômica como serva do Estado (nação).


    Aproveitando a sua atenção, nobre maestro (nobre maestra), antes do final do jogo (conclusão da obra). Gostaria de peticionar nos autos do processo, atuando na defesa do noviço (da noviça) das ciências sociais. Vejam. O acadêmico de ciências jurídicas possui uma oportunidade de entrar nas sociais: Sociologia Jurídica. O acadêmico das sociais não tem nenhuma oportunidade de entrar nas jurídicas. Diante do exposto, o reclamante postula pela inserção de uma nova disciplina no currículo de ciências sociais: Introdução ao Direito Constitucional.


    Prezados senhores, esta é a oportunidade do cientista social apanhar a Carta Magna na biblioteca. Colocar em cima da carteira escolar. Abrir o livro e ler o artigo quinto da constituição do Brasil. Conhecer a presunção de inocência, o direito à defesa, o devido processo legal, aprender que a capacidade postulatória do HC não é restrita aos operadores do direito. Enfim, saber que Ulisses Guimarães não morreu (...), pois a “Revolução brasileira” já aconteceu e foi escrita pelo constituinte originário, que Krenak estava lá, subiu na tribuna do Congresso Nacional, pintou o rosto e conseguiu fazer emplacar dois artigos de lei extremamente importantes (231 e 232). Enfim, não podemos negar esse direito aos futuros cientistas sociais brasileiros que nem sequer conseguem ler o artigo 57 da lei 6.001/73 e não sabem o que pensar sobre o “Estatuto do Índio” (ou distinguir direito indígena de direito indigenista). Temos que virar essa página. Por favor. Voltando para a ciência política: 2016 foi golpe ou não foi?


    A Plataforma Lumina (UFRGS) oferece oportunidade singular com a oferta do curso não presencial - O Golpe de 2016. Sinceramente, de próprio punho, posso declarar ser esta uma das oportunidades mais interessantes de construção de conhecimento nesta universidade. Vários pensadores, professores das mais diversas áreas do conhecimento científico, especialistas identificados com doutrinas concorrentes, discutindo e debatendo sobre um dos eventos sócio políticos de maior envergadura no cenário da história do Brasil. De fato, uma experiência especial para todos os partícipes.


    Neste mesmo tom (ou ritmo), seja presencial ou remotamente (on line), por que não auxiliar o professor Nildo e os seus companheiros albergados na Ilha da Magia, através de um grande debate sobre “A Universidade que queremos construir na fração que resta do novo milênio”. Unindo vermelhos e azuis, identitários e não identitários, marxistas e weberianistas, englobando o alto clero e  baixo clero, cristão reformado e não reformado, ateu e demais correntes da religiosidade, pensadores capitalizados e descapitalizados, servidores públicos estáveis e não estabilizados, enfim gregos e troianos. Ampla discussão sobre o futuro do ensino superior no Brasil: acesso de vagas, permanência do alunado, financiamento de pesquisa científica, ranqueamento de produção acadêmica, demandas nacionais afetas ao conhecimento acadêmico.


    A conclusão deste breve “relato de bordo” (nau) deve resgatar aquilo que escrevemos no início deste singelo construto. Transcrevo a sentença completa da frase que abriu o texto:




“A discussão em torno do marco temporal para a demarcação das terras indígenas que ainda está em curso nas três esferas de poder político anima o prosseguimento desta investigação científica. A nossa pesquisa não finda aqui, ou seja, continuaremos com “A Ética Protestante e o espírito do capitalismo” (Weber) em uma conexão com o “Biopoder” (Foucault – Os Anormais), pois sem o primeiro, este último não teria chegado ao “Ubu psiquiátrico-penal” onde fica claro que ambos estão trilhando no “Estudo histórico das tecnologias do poder” (FOUCAULT, 2002). Quiçá avançar (paulatinamente) um pouco mais e chamar Peter Sloterdijk para participar do nosso engenho com a sua antropotécnica e os estudos que chamou de “Parque Humano”? Questões abertas para oportunidades (potencialmente) futuras, pois a ciência vive na vida do cientista vivo que pulsa letras (jurídicas e não jurídicas). Sem mais”. 


(JACOMINI, 2024)




    A chuva continua e Porto Alegre não quer acordar, mas já é in(F)verno e você não pode permanecer (calado) encastelado. Reage, enfrenta, seja honesto e sincero. Leia novamente:






01


A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).


02


A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes)?


03


Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa verdadeira tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?






Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)






Vamos cantar?!?!






Chove chuva


chove sem parar.


Chove chuva


Chove sem parar (...)






Muito obrigado pela atenção!



Abraço fraterno!


terça-feira, 23 de junho de 2026

São João

 .

..

...


São João. 



Correm os anos e para trás ficam as coisas do passado esquecidas por certo pelos dias céleres que correm no presente com as preocupações e os problemas cada vez mais difíceis e complexos da atualidade. 



Daí porque as festas de outrora superavam em redor e entusiasmo as do presente que a nosso ver não tem aquele mesmo sabor e felicidade. 



Mas o que pretendemos aqui nessa página é recordar o que foram as lindas e frias noites de São João do passado. 



Assim valermos da descrição feita por um viamonense que saudosista nos diz numa dessas noites de inverno. 



Vimos em várias ruas da cidade, algumas crianças distraindo-se com fogos da China. 



Como já estamos habituados a ver quase que diariamente tal distração nenhuma curiosidade nos despertará, não poderíamos atinar que aqueles fogos fossem em regozijo ao Santo cuja data se comemorava para aquelas crianças era a noite de São João e com tudo tinha o mesmo significado de qualquer noite comum. 



Eis, pois porque nós tenhamos lembrado da época em que o uso da botina constituía elegância para os granfinos, assim como o grande dever para um sacristão ao verno o velho Jesus, o hino a noite de São João, tinha um aspecto mais festivo e muito mais alegre ao pôr do sol. 



A gurizada reunia-se para fazer fogueiras cobertas com Ramos verdes, improvisar, canhões e comprar foguetes para guardar a hora em que no firmamento as estrelas brilhassem, aí então cheia de amor. 



Junho. Salve! Grande Santo a juventude ao queimar a fogueira tirava a sorte dançava a mazurca, polca, shote entre outras danças usadas naqueles tempos as pessoas antigas contavam as suas velhas histórias e lembravam seu passado que já não tinha a mesma atração daquele presente, que é o nosso passado de aventuras, ainda recordamos aquelas noites de São João. 



Uma das festas mais características de que reunia gregos e troianos era aqui um festival.

(...)



Alice afirmava se armava uma enorme fogueira, onde todos brincavam festejavam o santo Apóstolo. 



Quando a fogueira já se encontrava em cinzas realizava-se um lindo ritual 



(...)



Um grande baile onde rapazes e moças se divertiam até o alvorecer do dia seguinte. 



Estas memórias são até hoje bastante recordados por respeitáveis cidadãos do nosso passado e assim leitor se é o que nos resta dizer a respeito, daquelas tradições, aquelas tradições, aquelas tradicionais, festas de São João na lendária e histórica Capela de Viamão. 


Adaptado desde as páginas do livro "Viamão"
de Adonis dos Santos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Arraial da Alegria

 




ARRAIAL DA ALEGRIA

(mil novecentos e antigamente)


        No sábado, dia 28, a partir das 14 horas, acontecerá o tradicional Arraial da Alegria, evento que visa comemorar com muita animação e música a festa junina em Viamão. A festa acontece na Praça Santa Isabel (avenida Liberdade, Santa Isabel) e conta com atrações artísticas e muita comida típica. Se apresentarão no Arraial os grupos Eco do Minuano e Bonitinho, Tô Chegando, Expresso Tchê, Camila e Banda, o cantor Rafael Deós e a Unidos de Vila Isabel.

O evento também terá a Rua do Lazer, com muitas brincadeiras para a garotada e praça de alimentação.

sábado, 20 de junho de 2026

Nheengatu

 





Verbete



Turuna



Na origem cultural indígena, especificamente na língua tupi antiga, a palavra turuna (originalmente grafada como tury-un-a ou tury-una) está profundamente ligada aos elementos da natureza, à força física e à espiritualidade.

A decomposição e o significado desse termo dentro do contexto indígena revelam três camadas principais:

1. A Etimologia Tupi (A Raiz da Palavra)

O termo é formado pela junção de duas palavras do tupi antigo:Turi (ou Tury): Significa "tocha", "fogueira" ou "fogo".Un (ou Una): Significa "preto", "escuro" ou "retinto".

Literalmente, a palavra significa "fogueira negra" ou "fogo negro".

2. O Significado Metafórico e Cultural

Para os povos tupi, a junção de "fogo" (energia, transformação, calor) com "negro" (profundidade, densidade, mistério) não tinha uma conotação negativa. Pelo contrário, a expressão carregava um forte sentido metafórico:Poder Absoluto: Representava uma força intensa, concentrada e difícil de apagar, como o carvão em brasa que mantém o calor por muito tempo.

A Língua Geral e a Transição:

 Conforme a língua tupi se misturou com o português (formando a Língua Geral ou Nheengatu), o termo passou a ser usado para definir o indígena forte, o guerreiro imbatível e de pele escura/bronzeada que demonstra bravura extrema em combate.



3. A Figura do Guerreiro

 "Turuna"

Na estrutura social e cultural indígena, um "turuna" era aquele que liderava incursões na mata com destemor. Possuía grande resistência física e agilidade. Era visto como alguém "fechado para o perigo", cuja energia vital (o "fogo") era poderosa e imponente.


Érico Veríssimo

 .

..

...

“Estou convencido de que meu primeiro contato com a música, o canto, o conto e a  mitologia se processou através da primeira cantiga de acalanto que me entrou pelos  ouvidos, sem fazer sentido em meu cérebro, é óbvio, pois a princípio aquele conjunto  ritmado de sons não passava dum narcótico para me induzir ao sono. Essa canção falava  do Bixo Tutu, que estava no telhado e que desceria para pegar o menino se este ainda não  estivesse dormindo. Mas se ele já estivesse piscando, com a areia do sono nos olhos, a  letra da cantilena era diferente: uma advertência ao Bicho Tutu para que não ousasse  descer do telhado, pois nesse caso o pai do menino mandaria matá-lo. E aí temos sem  dúvida uma efabulação ou estória, uma melodia e um elemento mitológico. Amas e criadas  encarregaram-se de enriquecer a galeria mitológica da criança, contando-lhe estórias  fantásticas, de caráter francamente sadomasoquista, como aquela da madrasta que  mandou enterrar vivas as três enteadas. (Ouço uma voz remota exlamar: xô, xô,  passarinho!...). Dessa História das meninas enterradas – carpinteiro de meu pai / não me  cortes os cabelos / minha mãe me penteou / minha madrasta me enterrou ... – guardo mais  o terror que ela me inspirou do que seu enredo. Por essa época a criança já caminhava, e  a fita magnética de sua memória estava ainda praticamente virgem, pronta para registrar  as impressões do mundo com suas pessoas, animais, coisas e mistérios”.  

Transcrição literal de trecho de obra literária. 

Extraído de “As Memórias de Érico Veríssimo”. 

In. O que é leitura.  

Autora: Maria Helena Martins 

Coleção Primeiros Passos. Número Setenta e Quatro.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Nossa Cidade

 



Wilder


        Nossa Cidade (Our Town) é uma famosa peça em três atos escrita pelo dramaturgo norte-americano Thornton Wilder em 1938. 

        A obra acompanha o cotidiano da fictícia Grover's Corners, celebrando a beleza das pequenas coisas e a efemeridade da vida. 

        No Brasil, destacou-se a icônica montagem do diretor Antunes Filho.