quinta-feira, 23 de julho de 2026

sopesar


 





A vida no mundo das letras - i_s_a_b_e_l


    A questão é:

    "Por que um homem de letras necessita viver no meio do lixo?"

    Você assistiu a transmissão (live do you tube) do último domingo?

Veja:

    Essa construção gráfica, presente nesta tela, faz relação com aquela reflexão. Foi exatamente isso: um convite para uma reflexão. Perguntava eu, quais as razões que levam um ser sensível ser tão pouco avaliado entre os demais.

    Vamos iniciar com as letras?

    Quando iniciei o curso de letras jurídicas, ficava perplexo, pois não entendia aquele palavrório. Eram tantas "expressões idiomáticas", ouvia tantas palavras diferentes que saiam da boca de pessoas diferentes. E eu perplexo, atônito e (de certa forma) confuso. Fui para a biblioteca, pois a sala de aula estava lotada. Mais de trezentos alunos na classe e eu sentado no fundo da sala. Dizia: presente! O professor não escutava. Registrava ausência, pois era surdo de um ouvido. Resultado: reprovado por excesso de faltas (e eu estava lá!). Resumo: meio milhão investido na formação acadêmica e nada. Tranquei a matrícula.

    Agora lembrei de uma frase que ouvi outro dia na internet: "as pessoas especiais, sofrem mais que as demais". Voltando para as letras. Vejam, nem tudo foi perdido, pois foi exatamente ali que descobri o maior literato da história da humanidade: Maurice Maeterlinck. O prédio era imenso, mais de uma dezena de andares (alguns de acesso restrito). Eu estava matriculado no curso de ciências jurídicas, mas buscava "outras literaturas". O que faz um homem de letras?

    Só o pesar não remove montanhas, portanto devemos voltar para o objeto da ação: palavras e significados. Confesso que existem palavras que não entram. Eu tento e não consigo. Não me parecem confiáveis, amigáveis, confortáveis. Entende? Eu não necessito prover impropérios somente para satisfazer a corte. Palavras são pá larvas. Opa! O que é isso? Presta atenção. Prometo ser objetivo, claro e sincero:

01

Existem palavras que eu não vou transformar em mantra, nunca! Entendeu!?

02

Era uma cidade distante da capital. Sobreveio necessidade de decisão do gestor público: renovar ou não renovar contrato (negócio jurídico). O mesmo sopesou e decidiu: renova! Mera decisão interlocutória?

Fato: uma semana de precipitação pluviométrica. Malazarte liga a torneira e não tem água potável para abastecer a sua residência. 

03

O mundo do direito é incrivelmente desafiador. Max Weber era um jurista. Lecionou economia e era apaixonado pela história. KD a sociologia que não convida o sociólogo do Rock (C. B.) para lecionar na federal?

É

pesar

e

crer

que 

cantar

ainda

é 

melhor 

saída.

    Dias perfeitos. Você assistiu? É tanto lixo que só consegui acessar ainda ontem. Mas valeu a espera. O que é a trilha sonora daquela película? Gente. Vai lá e curti. Impossível falar de cinema e não citar Wim Wenders. Isso não é uma petição e você não é juiz (até porque a Santa Isabel não possui tribunal, mas se engana quem crê que não há jurisdição presente, potente e válida).

Preliminar de mérito:

Não há direito sem a literatura:

I - Maeterlinck inventou o "Teatro Simbolista"

II - Tarkovsk inventou o cinema sem trilha sonora

II - Wenders inventou uma cena cinematográfica que encanta todo o ser sensível.

Dos pedidos:

Face ao exposto, o postulante requer a presença do Poder Público Municiapal no atendimento as demandas pendentes: iluminação pública, operação tapa buracos, roçada e capina, recolhimento de entulhos do passeio público.

Base legal:

Artigo quinto da Constituição Federal do Brasil.

 


Enfim


    A questão é:


    "Por que um homem de letras necessita viver no meio do lixo?"


    Você assistiu a transmissão (live do you tube) do último domingo?


Veja:


    Essa construção gráfica, presente nesta tela, faz relação com aquela reflexão. Foi exatamente isso: um convite para uma reflexão. Perguntava eu, quais as razões que levam um ser sensível ser tão pouco avaliado entre os demais.



https://jacquesja.blogspot.com/2013/12/andrei-tarkovski.html




sábado, 18 de julho de 2026

Ronda Um - Santa Isabel

 



Novo livro sobre a Santa Isabel.

O Cidadão X segue movimentando lixo, enquanto o escritor escreve mais uma página.


https://jacquesja.blogspot.com/p/a-isabel-ronda-um-tributo.html

Avenida Liberdade

 






Prezados Novos Moradores da Avenida Liberdade.

Gostaria de convidá-los para conhecer o nosso trabalho.

Estamos na labuta, ao longo das últimas décadas, a fim de construir uma vida digna em meio urbano.

Não é possível que a consciência ecológica siga tão ausente entre alguns isabelenses.

De um lado, a municipalidade inovando e instalando novos dispositivos para uma cidade mais limpa, bonita e sanitariamente correta. De outro lado, o cidadão depositando lixo em passeio público.

A Cidade é de todos e a preservação do meio ambiente, desde a constituição federal é responsabilidade de toda a sociedade. Vamos seguir lutando, a fim de avançar nesta pauta.




Convido os novos moradores da nossa comunidade para visitar o link abaixo:


https://acidadedesantaisabel.blogspot.com/p/os-primordios-da-historia-da-santa.html





sexta-feira, 17 de julho de 2026

Ordenações Jurídicas Não Estatais

 



Você sabe o que são as ordenações jurídicas não estatais?

A justiça desportiva, por exemplo. Você sabe como funciona?

Se houver interesse na temática, visita o link abaixo:


https://www.youtube.com/watch?v=dFBqxk2V6ow&t=1766s


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Stalker


 

 







O Espelho da Alma e a Caixa de Pandora: O Mistério da Sala dos Desejos em "Stalker"

Escrito Por Jacques Jacomini



No vasto e contemplativo universo cinematográfico do diretor soviético Andrei Tarkovsky, a busca pelo absoluto nunca se dá por caminhos lineares. Se em O Espelho (1975) o cineasta utilizou a maleabilidade do tempo e da memória para projetar as fraturas da alma humana, foi em Stalker (1979) que ele materializou o maior enigma de sua carreira: a Zona e, no coração dela, a Sala dos Desejos. Espaço místico capaz de realizar a aspiração mais íntima de quem nele adentrar, a Sala evoca um dos mais antigos mitos da humanidade.

  Ela funciona como uma Caixa de Pandora invertida, um limiar onde o maior perigo não é o desconhecido alienígena, mas a confrontação inevitável com a verdade nua do próprio ego.A Proibição e a Tentação do Absoluto. O paralelo entre o clímax de Stalker e o mito grego de Pandora estabelece-se, primeiramente, pela dinâmica da proibição. 

Assim como Zeus entrega o jarro a Pandora sob a condição estrita de jamais abri-lo — transformando a interdição no combustível ideal para a obsessão —, o governo totalitário de Stalker cerca a Zona com arame farpado, tanques e metralhadoras. O isolamento geográfico apenas santifica o espaço proibido.

 Para o homem comum, a Sala torna-se o único repositório de milagres em um mundo cinzento, industrializado e desprovido de fé.No entanto, a genialidade da transposição mítica de Tarkovsky reside na inversão do medo.

 No mito clássico, Pandora abre a caixa movida por uma curiosidade ingênua, liberando as mazelas e tragédias sobre a Terra. Em Stalker, os viajantes — o Escritor e o Professor — hesitam diante do limiar exatamente porque compreendem a gravidade do que está guardado dentro daquela "caixa" psicológica.

 Essa recusa em transformar a Zona em uma metáfora rasa ou em um espetáculo de efeitos visuais é explicada pelo próprio diretor em sua obra teórica Esculpir o Tempo:



"A Zona é a Zona, é a vida, e o homem, ao atravessá-la, ou se quebra ou se aguenta. Se ele resiste, depende do seu sentimento de dignidade própria, da sua capacidade de distinguir o essencial do que é passageiro." (TARKOVSKY, 2010, p. 223).



O Inconsciente como Monstro: A Recusa do Limiar

A Sala dos Desejos desmascara a hipocrisia humana porque ela ignora o discurso consciente. Ela não realiza o que o homem diz que quer, mas sim o seu desejo inconsciente mais profundo e, frequentemente, mais terrível.

 A tragédia de Porco-Espinho, o mentor do Stalker que entrou na Sala para salvar o irmão mas saiu de lá imensamente rico, serve como o grande alerta pedagógico da narrativa. O inconsciente humano abriga monstros de egoísmo, vaidade e ganância que a civilidade tenta recalcar.

Diante da porta da Sala, a arquitetura do vazio — dunas de areia úmida sob um teto onde chove perpetuamente — funciona como um espelho límpido. O Escritor percebe que, se tiver seu desejo de genialidade realizado, sua arte não será mais sua, mas um subproduto da Zona; ele teme a mediocridade de sua própria alma.

 O Professor, que carrega uma bomba para obliterar o local e evitar que tiranos o usem para destruir a humanidade, percebe que o verdadeiro perigo não é a Sala, mas o que os homens projetam nela.Ao optarem por não cruzar o portal, ambos os intelectuais decidem manter a "tampa fechada". Eles recusam o autoconhecimento absoluto porque sabem que a verdade sobre si mesmos pode ser insuportável.



A Paisagem Sonora e a Esperança no Fundo do Pote

Na mitologia grega, quando Pandora consegue apressadamente fechar a caixa, a única coisa que resta presa no fundo é Elpis — a Esperança. Em Stalker, a manutenção da tampa fechada é o que preserva a santidade da vida. Se o Escritor ou o Professor tivessem entrado e descoberto que a Sala era uma fraude, ou se tivessem revelado desejos mesquinhos, a última fagulha de transcendência do mundo morreria ali.

 Ao deixarem a Sala intocada, eles salvam a esperança. O mistério permanece vivo porque não foi corrompido pelo toque ou pela posse humana.Essa transição espiritual é amparada por uma sinfonia de ruídos naturais (chuva, passos na lama, o vento) processados eletronicamente. 

Tarkovsky rejeitava a música ilustrativa no cinema, preferindo que os próprios elementos da natureza operassem a catarse poética do espectador. Em suas próprias palavras:



"O som do mundo real, se escutado com atenção, é tão expressivo que, se formos capazes de organizá-lo com precisão no filme, a música simplesmente não será necessária. O mundo exterior tem sua própria música." (TARKOVSKY, 2010, p. 182).



É essa mesma música sutil e essa esperança sobrevivente que Tarkovsky desloca de forma brilhante na icônica cena final do longa. O Stalker retorna para seu lar em ruínas, imerso em uma profunda crise de fé, chorando a descrença dos homens. Contudo, a câmera se volta para sua filha, Martyna, uma criança que carrega no corpo as mutações físicas decorrentes das incursões do pai à Zona. 

Sentada à mesa, enquanto recita um poema de amor e o som ensurdecedor de um trem sacode as paredes da casa, a menina move copos de vidro puramente com a força do pensamento.

A revelação final de Tarkovsky é um soco poético: o Stalker passou a vida inteira arriscando-se no extraordinário proibido da Zona, buscando Deus em uma sala vazia, sem perceber que o milagre, a magia e a transcendência já habitavam a intimidade de sua própria casa. A pureza inocente da criança manifesta a força da Zona sem a necessidade de barganhas ou petições.

Assim como o cinema de Tarkovsky — que se recusa a entregar respostas fáceis e funciona como uma tela vazia onde o espectador projeta suas próprias angústias —, a Sala dos Desejos e a Caixa de Pandora nos ensinam que o sagrado não deve ser desvelado ou destruído. Ele deve ser reverenciado à distância, pois é no silêncio do mistério que reside a nossa última chance de salvação.



Referências Bibliográficas



TARKOVSKY, Andrei. Esculpir o tempo. Tradução de Humphrey de Almeida Tozini. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010;

STALKER. Direção: Andrei Tarkovsky. Roteiro: Arkady Strugatsky e Boris Strugatsky. União Soviética: Mosfilm, 1979. 1 DVD (161 min).