Rio Gravatai
Imagem do site da CORSAN
BURICA
O abastecimento dos bens necessários a nossa sobrevivência gera uma página importante da nossa história de portoisabelense. Dedico este primeiro texto do ano ao tema que já a algum tempo intentava inaugurar aqui no blog: abastecimento.
Em 1971 chegamos na Santa Isabel. “Sentamos praça” ali na Rua Lisboa, esquina com Napoleão Bonaparte. O meu pai construi (não mandou construir, eu disse construiu) uma casa muito simples de madeira reciclada. Em seguida ele solicitou, para a empresa prestadora do serviço, um ramal elétrico. Porém não havia rede pública para abastecer o nosso domicílio em água potável. Zeferino era militar e tinha um colega que morava próximo. O Cabo Beto mandara cavar um poço artesiano para abastecer a sua residência. Nascia ali a nossa primeira alternativa de abastecimento de água. Desciamos cerca de duzentos metros até a residência da Burica (Rua João Braulio Muniz), esposa do Cabo Beto, apanhávamos água no poço e subíamos a Rua Nova empunhando baldes com a água que abastecia a nossa residencia.
Hoje, mais de quatro décadas após ao ocorrido, em pleno dia primeiro do ano, nós não temos água disponível nas nossas torneiras. Nós não dispomos de abastecimento de água potável nem de energia elétrica na nossa atual residencia. Veja um detalhe: Estamos no miolo da Santa Isabel, residindo bem ao lado de um imenso reservatório de abastecimento da Companhia Riograndense de Saneamento CORSAN (eu prefiro chamar de complexo de abastecimento). Ou seja, poderíamos dizer “centro da periferia”. Você sabe quantas nascentes de água pura e cristalina existem aqui no nosso entorno, especialmente nos altos do Morro Santana? Muitas são as fontes de água existentes aqui na região. Eu mesmo já publiquei diversas vezes as imagens, especialmente da Fonte da Bica a mais tradicional (ou famosa) entre nós. Por que a nossa comunidade sofre ciclicamente com interrupções no abastecimento de água (e de energia elétrica)?
Recentemente o poder público local renovou o contrato com a CORSAN. Eu pergunto: foi uma decisão acertada? A população foi ouvida quanto a este medida tão importante para toda a comunidade? Existem alternativas para um sitema de abastecimento que não coloque todos na condição de “reféns” da Corsan? O que aconteceu com as obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário residencial aqui na região? Por que as máquinas sumiram e as obras pararam? Com a palavra os gestores responsaveis.