quinta-feira, 9 de julho de 2026

A tinta e o tempo

 







A Tinta e o Tempo

Escrever é erguer um farol contra o naufrágio dos dias. Não registramos a vida apenas pelo capricho das palavras, mas pelo pavor sagrado do esquecimento. Cada folha solta, cada rascunho esquecido em uma gaveta, é um fragmento da nossa alma que se recusa a morrer no silêncio. Se a memória é um tecido frágil que o tempo teima em roer, a escrita é a linha que nos costura à eternidade. O relato que se segue nasceu de um vislumbre noturno, um aviso silencioso de que somos feitos das histórias que guardamos. E que, se não cuidarmos das nossas próprias páginas, o tempo — feito cupim invisível — transformará nossa existência em pó e mistério. É preciso escrever para respirar. É preciso registrar para continuar sendo.

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