A Dor da Cidade
A dor da Cidade,
Adormecida.
A dor da Cidade.
Dói, dói e faz doer.
A dor da Cidade.
Autor do delito, dorme.
Delega a terceiro,
essa dor não é minha.
Não faz doer,
coração de churrasco,
contrata carrasco.
A vítima (na churrasqueira) arde em chama.
Segunda feira
o caminhão do osso,
o dono do matadouro (e do frigorífico),
essa dor não é minha.
A Cidade sangra,
chora e implora:
chega de carroças.
Fora carroceiro (e o rodeio?).
A dor da Cidade.
Autor do delito, dorme.
Delega a terceiro,
essa dor não é minha.
Essa dor é minha.
Essa dor é tua que come
coração assado no espeto.
Olha a praça cheia de lixo.
E a dignidade da pessoa humana?
Adeus Quintana,
Salve Collares,
Viva Glênio Peres.
A dor da Cidade.
Autor do delito, dorme.
Delega a terceiro,
essa dor não é minha.
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