segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Flores


 



Flores

Há quem cante
as flores da primavera.
E há quem cante
as flores da primavera,
do verão,
do outono,
e do inverno.
Estes últimos são mais:
F – l – o – r – e - s.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Viamão


 


Extrato do livro Viamão.

Acompanhe uma das páginas do nosso livro de 1999.


VOCÊ TEM CULTURA ???


    Essa pergunta está presente no imaginário da maioria dos indivíduos contemporâneos. Infelizmente, na maioria das vezes, as noções de cultura e conhecimento se entrelaçam e se confundem.

    De forma arrogante, quando se quer menosprezar alguém, ao nível do senso comum, se afirma: Você não tem cultura !!!

    Mas será que esta afirmativa procede ? E o que é, de fato, Cultura ??

    Existem vários conceitos e definições para o termo, ficaremos com apenas três: O primeiro pensador que definiu o termo foi Edward Burnett TYLOR em 1871. No texto intitulado “Primitive Culture” (Cultura Primitiva) ele afirma “Cultura (ou civilização), em sentido etnográfico amplo, é qualquer complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, o direito, os costumes e quaisquer outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem enquanto membro da sociedade.” Foi a partir de então que um novo campo de conhecimento e investigação científica pode surgir: o antropológico.

    No Aurélio (dicionário) o termo cultura é definido como: 1. Ato, ou efeito ou modo de cultivar; 2. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade; civilização. Segundo Figueiredo, em seu Pequeno Dicionário de Língua Portuguesa, vemos algumas semelhanças de conceito e algumas diferenças. Cultura, além de ser o ato ou efeito de cultivar, é o estado de quem tem desenvolvimento intelectual, sinônimo de estudo, elegância e esmero.

    O certo é que cultura não é algo que se mede em uma escala definida em valores ou em quantidades. A cultura está presente nas mais diversas civilizações, povos e grupos sociais, portanto não é correto afirmar para qualquer indivíduo: Você não tem cultura. Cada civilização, povo ou grupo possui as suas próprias expressões, padrões e universos culturais que são dados segundo o seu modo de interagir como o meio (social e ambiental) em que vive, maneiras de cultuar as suas divindades, crenças e cosmologias, enfim, segundo as possibilidades que cria para se afirmar enquanto seres humanos e / ou sociais. É importante salientar ainda que não podemos confundir nível intelectual (ou escolar) com “nível” cultural (até porque já afirmamos que não podemos medir a cultura em níveis), pois a cultura não é “ensinada” (ou apreendida) na escola tradicional / formal e sim transmitida de geração para geração através de modos dinâmicos e informais fluidos no dia a dia das pessoas.

    O Antropólogo Roberto da Matta, percebendo a importância desta questão, construiu o texto denominado “Você Tem Cultura ?”. Esta é uma importante referência para todos aqueles que se interessam sobre este tema e que desejam conhecer de forma mais profunda esta discussão. A AAPC possui (e a coloca a disposição dos interessados) esta obra de referência sobre o tema, bem como diversas outras que contribuem para o movimento necessário de relativização dos nossos préconceitos que equivocadamente reafirmamos durante a nossa vida.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Viamão


 


Viamão - Obra de Adonis dos Santos

Este é um dos livros mais importantes para a história recente da Cidade de Viamão. Em uma linguagem bem construída, Adonis apresenta um cenário citadino de uma Viamão cheia de tópicos históricos interessantes e pitorescos. É muita informação, pois lá já se vão quase um século do nascimento do autor (veja texto autobiográfico abaixo). O interessante é que Adonis fala de dentro do cenário trabalhado no livro, a Cidade de Viamão. Tendo atuado em diversas atividades profissionais e sociais, labutando na vida pública como parlamentar e também no cargo máximo do executivo, Adonis reúne um universo rico de informações sobre a velha capital dos gaúchos.
O Autor é muito feliz ao escrever “Viamão”, pois nos entrega um texto claro, objetivo e de fácil leitura. Mostra-se preocupado com o produto final da obra, declarando que refletiu muito sobre a decisão de publicar este livro, pois não é historiador, mas afirma também que não poderia deixar de construir este compêndio por tudo o que viveu e pelo o que tinha de contar sobre esta vivência.  
Depois de muito garimpar, conseguimos adquirir um exemplar da obra, pois o livro está esgotado a bastante tempo. Existem poucos exemplares disponíveis para consulta. Penso que os herdeiros do legado de Adonis poderiam avaliar a possibilidade de uma republicação deste importante livro.



Texto da Contra-Capa do Livro:

ADONIS por Adonis
"Nasci na então Vila de Viamão, hoje progressista cidade, no dia 27/07/1913, na casa onde até hoje reside meu venerando pai, Alcebíades Azeredo dos Santos, sita a Rua Cirurgião Vaz Ferreira.
Após freqüentar o colégio elementar, hoje Grupo Escolar Setembrina, sob a proficiente direção do saudoso educacionista Tolentino Maia, tendo como professora Dona Carmelia Curtis, além de outras mestras, em 1927 fui concluir meu curso primário no Colégio Souza Lobo, em Porto Alegre, o qual tinha como diretora a Professora Diva Branca Pereira de Souza.
Foram minhas mestras neste educandário, as professoras Alcina Tobarda, Rita Dutra Job e Vera Simich. Residia eu, naquela ocasião, numa velha residência a Rua Benjamin Constant, sob os cuidados da conceituada educadora Dona Albertina Lavra Pinto Eder; Concluído o curso primário, retornei a Viamão, onde trabalhei nas oficinas tipográficas do ex “O Viamonense”, hoje “Correio Rural”.  
Nessa cidade fui também lecionado em aulas particulares pelos doutores Nelson Barcelos da Veiga e Reverendo Gamaliel Cabral. Em 1929 ingressei no comércio em Porto Alegre tendo trabalhado na firma Furtado & Feijó.
No período de 1930 a dezembro de 1931, residi na Cidade de Gravatai lá exercendo as minhas atividadesno “Correio Rural” que para aquele município havia se transferido, tendo em vista a mudança de meu pai que passaria então a residir naquela localidade. No dia 10 de dezembro de 1931, ingressei nas fileiras da gloriosa Brigada Militar do Estado. Vida bastante acidentada a que tive na milícia estadual, pois que, bem moço ainda já era graduado e me pesavam grandes responsabilidades, tais como comandante de guarda e patrulhamento naqueles dias agitados de 1932 afora.
Devo, nesse relato biográfico tecer os maiores louvores à gloriosa Brigada Militar a quem devo a minha formação de caráter, dignidade e de homem; Em 02 de janeiro fui excluído, a meu pedido, da valorosa força estadual, após servir por mais de quatro anos. No dia 10 de fevereiro de 1936 ingressei no quadro do funcionalismo da Prefeitura do Município de Viamão.
Prestei serviços aquela municipalidade, vinte e cinco anos, ao correr de cujo tempo exerci também atividades políticas e administrativas, as quais citarei em rápidos detalhes; na vida pública, por dois quatriênios, fui vereador, tendo ocupado por três vezes a Presidência da Camara Municipal. Fui também relator de diversas comissões do legislativo viamonense, havendo sido o relator da Lei Orgânica em Vigência no município de Viamão.
Na vida social exerci os seguintes cargos: tesoureiro, durante dez anos, do Tiro de Guerra 346, secretário da Legião Brasileira de Assistência, secretário da extinta Legião do Ar, secretário da Loja Maçônica de Viamão, orador perpétuo da Liga de Defesa Nacional, secretário da comissão Revisadora da Divida Ativa do Município de Viamão, presidente da comissão de assistência social ao presidiário, além de outras entidades sociais, culturais e desportivas.
Coube-me a honra de dirigir o Município de Viamão no ano de 1959, durante 10 meses, como prefeito substituto, no licenciamento do titular, Dr. Carlos Pinto Mennet, e na ausência do vice-prefeito, Dr. Trajano Pinheiro Machado. Isso porque desempenhava eu o cargo de Presidente da Câmara Municipal.
Na vida jornalística, venho a mais de trinta anos, militando sempre em vários postos da direção do periódico “Correio Rural”.
Sou jornalista profissional registrado na 17ª. Inspetoria Regional do Ministério do Trabalho desde janeiro de 1940 e pertenço ao sindicato dos jornalistas Profissionais de Porto Alegre. Tenho exercido também minhas atividades no comércio viamonense, visto que além de haver possuído um armazém por alguns anos, estabeleci-me logo após com o bar restaurante Setembrina sito à rua Cel. Marcos de Andrade, de cujo ramo de negócio sou proprietário e dirijo há mais de 15 anos consecutivos.
São meus filhos os jovens Moacyr e Waldir dos Santos e a senhorita Adair dos Santos, filha essa que constitui em minha atribulada existência, o sonho de um pai que a quer sempre feliz, pois que ela, para mim retrata todas as supremas inspirações de afeto, amor e carinho de meus sublimes ideais.
Eis, em síntese, amigos leitores em rápidas pinceladas, o passado do autor desta modesta obra."