sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Santa Isabel (Na Ufrgs)







Re apresentação 


Texto de Outrora



A  SANTA  ISABEL  HOJE


        A Santa Isabel é uma das regiões da Cidade de Viamão que mais tem se destacado pelo seu potencial econômico, social, político e humano. A proposta da atual Administração Pública Municipal denominada de Orçamento Participativo possibilitou que os moradores do 4º Distrito chegassem a uma conclusão que já estava construída geograficamente: a Santa Isabel é o centro de uma região composta por mais de 20 vilas.

        Durante o processo de escolha dos representantes (Delegados) das comunidades junto ao O . P . e das discussões sobre as suas prioridades, reuniram-se mais de 500 pessoas no Salão Paroquial da Igreja da Santa Isabel, local definido para a realização destas assembleias. Foi a partir deste momento que os cidadãos desta região, encontrando os seus pares, perceberam (talvez pela primeira vez) que ali se encontravam pessoas das seguintes localidades: Campos da Colina, Condomínio Horizontal da Lomba do Sabão, Diamantina, Irma, Jardim Lacy, Jardim Universitário, Lanza, Luciana, Medianeira, Monte Alegre, Monte Castelo, Morro Santana, Nossa Senhora Aparecida, Passo do Sabão, Represa, Santa Miguelina, Sítio Lomba do Sabão, USBEE e União. Desta forma a Comunidade da Grande Santa Isabel, como alguns denominam a região, ganha a visibilidade do seu todo, da sua força de barganha política, do seu poder de organização popular, enfim adquire uma nova fisionomia social, econômica e política.

        Considerada como zona estratégica para as atividades políticas da maioria dos partidos políticos de Viamão, sondada por redes de lojas comerciais de diversos tipos que começam ali a se instalar, olhada e pesquisada pelos técnicos que investigam o crescimento da região metropolitana de Porto Alegre, almejada por moradores de classe média de Porto Alegre que buscam um local de residência alternativa ao que a capital dos gaúchos oferece, querida e amada pelos seus admiradores mais entusiastas, assim a Santa Isabel demonstra suas especificidades urbanas. Mas o que existe de fato na Santa Isabel ou quais os elementos que a diferenciam sobremaneira das demais localidades de Viamão ??  

        Mais do que vila ? Um pouco menos  que cidade ? O que é de fato a Santa Isabel ???

        A resposta final e acabada para esta pergunta está longe de ser construída, no entanto, já temos alguns elementos, fruto de investigações científicas que temos realizado na cidade, que contribuem para esta reflexão sobre o processo de construção urbana aqui referido.



ALGUNS  PRESSUPOSTOS  TEÓRICOS


Para a noção de Cidade

        

         Definir o que é uma cidade, de fato, não é uma atividade fácil, diante das inúmeras concepções e noções do que realmente venha a ser uma cidade em toda a extensão do termo. O urbanista e pesquisador FERNANDO GOITIA em uma BREVE HISTÓRIA DO URBANISMO afirma que “o estudo da cidade é um tema tão sugestivo como amplo e difuso; impossível de abordar para um homem só, se levarmos em conta a quantidade de saberes que haverá de acumular.” Seguindo a sua sugestão de que “não devemos perder de vista, ao estudar as cidades, as valiosas fontes que a literatura nos oferece”, trazemos alguns conceitos de cidade construídos por alguns pensadores que nos antecederam sobre este tipo de estudo.

        ARISTÓTELES trabalha com um conceito político de cidade, no momento em que sugere uma noção de diferenciação entre dois tipos de cidadãos que compõe as cidades. Neste sentido ele disse que “uma cidade é um certo número de cidadãos, de modo que devemos considerar a quem devemos chamar cidadãos e quem de fato é um cidadão (...) Chamamos, pois, cidadãos de uma cidade aos que tem a faculdade de intervir nas funções deliberativas e judiciais da mesma e cidadão em geral, ao contrário são aqueles cidadãos que tem a cidade apenas para a realização da sua vida.” Excluindo a discussão política colocada na definição de Aristóteles que traz a noção de cidade-estado da Grécia (o Estado é a Cidade e a Cidade é o Estado) entendemos que, para ele, uma vez reunidos um determinado número de cidadãos, teríamos uma cidade.

        AFONSO, outro pensador das cidades,  referindo-se às cidades medievais que não se concebe sem a proteção de muros ao seu entorno como defesa das ameaças exteriores, define a cidade como “todo aquele lugar que é fechado com muros, com arrabaldes e edifícios que se tem com eles”.

        CANTILLON, pensador e estudioso do século XVIII, imagina assim a origem de uma cidade: “Se um príncipe ou um senhor fixa a sua residência em um lugar que o agrada e se outros senhores o acompanham e ali se estabelecem para um convívio mútuo e social, este lugar se converterá em uma cidade.” Neste conceito temos a concepção de uma cidade Barroca, de caráter senhorial e eminentemente consumidora, onde reina o luxo que foi a origem das grandes cidades do Ocidente antes do advento da era industrial.

          Para os que preferem uma distinção entre cidade e natureza, considerando a cidade como uma criação abstrata e artificial do homem, destacamos a concepção de ORTEGA e GASSET: “A Cidade é um ensaio da sucessão que o homem faz para viver fora e frente ao cosmos, tomando dele porções seletas e previamente escolhidas.”

        A opção que fiz, enquanto pesquisador em ciências sociais, foi pela análise qualitativa do social, através da proposta e das ferramentas que a antropologia social oferece para a análise da dinâmica social urbana. Portanto, mais do que me debruçar sobre uma grande quantidade de dados estatísticos, tabelas quantitativas e números exatos, proponho perceber a cidade através do que consigo extrair da sua essência qualitativa, ou seja, a sua cultura, o seu imaginário, os sentimentos que a permeiam, enfim a sua alma. Digo isto para introduzir uma outra concepção de cidade, difundida por SPENGLER para quem a alma (ou o espírito, como preferir) sustenta a dialética da cidade clássica.

        Segundo SPENGLER “o que distingue a cidade de uma aldeia (ou vila) não é a sua extensão, não é o seu tamanho, se não a presença de uma alma citadina (...) O Verdadeiro milagre é quando nasce a alma de uma cidade. Subitamente sobre a espiritualidade geral da cultura, destaca-se a alma da cidade como uma alma coletiva de uma nova espécie, cujos últimos fundamentos permanecem para os outros em eterno mistério. E uma vez desperta, se forma um corpo visível. A coleção de casas da aldeias (ou vila), cada uma das quais com sua própria história, se converte em um único conjunto. E este conjunto vive, respira, cresce, adquire um rosto familiar e uma forma e uma história internas. A partir deste momento, apesar das casas em separado, do tempo, da catedral e do palácio (do governo), constitui a imagem urbana em sua unidade o objeto de um idioma de formas e de uma história específica que acompanha em seu curso todo o ciclo vital de uma cultura ”


Para a Dinâmica da Organização Espacial

        As duas grandes categorias de análise científica em ciências sociais são, inevitavelmente, tempo e espaço, conforme a afirmação de vários autores que trabalhamos. Elas podem estar tão intimamente relacionadas que, algumas vezes, é quase impossível desconsiderar uma em detrimento de outra. Neste sentido, nos ensina Bachelard: “É pelo espaço, é no espaço que encontramos os belos fósseis de duração concretizados por longas permanências.”  (Bachelard, 1993)

        Em função disso, além das representações que remontam o tempo vivido e o tempo lembrado, presentes nesta monografia, considero a questão espacial como um outro eixo inevitável de apreensão e análise.

        Para esta “caminhada” e essa “descoberta” sobre a dinâmica espacial que estamos investigando, escolhemos três autores em especial. A incursão pela espacialidade de alguns perímetros urbanos nos faz dialogar com Schulz, para quem “el interés del hombre pur el espacio tiene raíces existenciales: deriva de una necessidad de adquirir relaciones vitales en el ambiente que le rodea para aportar sentido y ordem a um mundo de acontecimentos y acciones” (Norberg-Schulz, 1975). O segundo autor, como já sinalizamos anteriormente, é Bachelard que contribui sobremaneira para algumas interpretações que somente são possíveis dentro do campo da Fenomenologia da Imaginação (ou arqueologia do imaginário). Neste sentido, ele nos incita à algumas ponderações do tipo: “o espaço convida à ação, e antes da ação a imaginação trabalha” (Bachelard, 1993). O terceiro autor contribui para uma análise mais específica do fenômeno que estou tentando interpretar como um tipo de “Regionalismo” no sentido de que “O Regionalismo aponta para as diferenças que existem entre regiões e utiliza estas diferenças na construção de identidades próprias” (OLIVEN, 1992).

        O esforço de trabalhar com estes autores e seus pressupostos vai no sentido de tentar perceber as características e especificidades do campo trabalhado, bem como dos atores sociais e da dinâmica social colocada neste campo, a partir de  um “olhar vibrátil” (Rolnik, 1997) sobre o espaço e as relações de espacialidade que envolvem, delimitam e, porque não dizer, definem este universo simbólico e cultural trabalhados.


Para a questão de Identidade Cultural


        Os pressupostos básicos para a discussão da temática da identidade são oriundos de Renato Ortiz que afirma: “A rigor, faz pouco sentido buscar a existência de ‘uma’ identidade; seria mais correto pensá-la na sua interação com outras identidades, construídas segundo outros pontos de vista.” (ORTIZ, 1994). As noções tomadas por Ortiz de Lévi-Strauss também são de suma importância para este estudo, por exemplo: “A identidade é uma espécie de lugar virtual, o qual nos é indispensável para nos referirmos e explicarmos um certo número de coisas, mas que não possui na verdade, uma existência real.” (ORTIZ, 1994)


Para as questões de Método de Pesquisa


        A  pesquisa qualitativa e, em especial, o método etnográfico e etnológico, nos estudos de ciências sociais voltados a pesquisa de sociedades complexas do tipo urbano-contemporaneo-capitalista é aqui o centro da nossa construção científica. No meu entendimento, é através deste tipo de trabalho que podemos desenvolver a “ação” e a “imaginação” de que Bachelard nos falou em seus escritos.

        Para a metodologia do trabalho de campo, utilizaremos as principais técnicas do método etnográfico, como a observação participante, realização de entrevistas com o uso de gravador, análise de contexto do campo pesquisado e análise de conteúdo de documentos históricos, reportagens de jornais e revistas.

        Etnografar o campo estudado, representa para nós, destacar os principais atores sociais, suas características principais, enfim nos mover no sentido de realizar uma tarefa que se assemelha com o esforço de “tentar ler um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escrito não com os sinais convencionais do som, mas com exemplos transitórios de comportamento modelado.” (Geertz, 1978)



sábado, 24 de janeiro de 2026

Mar Novalis

 



Mar (NovalisI


Nós

vamos

Amar 

o

 Mar

assim

como

a

nossa

Mãe 

nos

 Amou!



Aparecido de Tal

Desde Porto Isabel

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Eu sabia, e tu sabias?: Houve Um Tempo

Eu sabia, e tu sabias?: Houve Um Tempo:                    Transcrevo abaixo um trecho de meu livro sobre minhas memórias.                                   O tempo...

Carlos Drummond de Andrade (a flor de samambaia)

Aos Santos de Junho


Meu santo Santo Antônio de Lisboa,

repara em quanto coração aflito,

a padecer milhões por coisa à toa.

Por que não baixas, please, do infinito?


O mundo é o mesmo após aquela tarde

em que, à falta de gente, por encanto,

falaste aos peixes, e eles, sem alarde,

meditavam em roda de teu manto.


Não sabemos, Antônio, o que queremos,

nem sabemos querer, porém confiamos

de teu amor nos cândidos extremos

e nessa fiúza todos continuamos.


Se não sorris a nosso petitório,

acudindo ao que houver de mais urgente,

se, em vez do café, levas o tório,

como pode o pessoal ficar contente?


Alferes, capitão de soldo largo,

tua civilidade nos proteja.

Não nos deixes papar arroz amargo,

e os brotos (de grinalda?) leva à igreja.


Olha as coisas perdidas, Antoninho:

vergonha, isqueiro, tempo… Se encontrares

um coração jogado no caminho,

traze-o de volta ao dono, pelos ares.


E tu, senhor São João, que vens chegando

ao estrondo de bombas (de hidrogênio?),

salve! mas, por favor, dize: até quando

o jeito é ensurdecer: por um milênio?


Sei que não és culpado, meu querido.

Amas o fogo, a sorte, a clara de ovo,

a flor de samambaia e seu sentido

mágico, à meia-noite, para o povo.


E o manjerico verde, casamento

com rapaz; ou, senão, murcho, com velho.

Responde, João: em julho vem aumento?

(Bem sei que o assunto foge ao Evangelho.)


Mas dançaremos todos por lembrar-te,

e pulando, sem pânico, a fogueira,

pobres clientes do câncer e do enfarte,

ao clarão de outra chama verdadeira


que arde em nós, não se extingue e nos consola,

ó João Batista degolado e suave,

bendiremos a graça de teu nome,

e na funda bacia a alma se lave.


Não importa, se ardemos: esta brasa,

como o petróleo, é nossa. Mas, bondoso

e friorento São João: ao cego, em Gaza,

dá-lhe em sonho um balcão, para seu gozo.


E tu, ó Pedro astuto e rude, rocha

no caminho do incréu, baixa e descansa,

contando-nos teus contos de carocha,

os mesmos em Caeté como na França.


Tens as chaves do céu ou do Tesouro?

Aqui a turma — é pena — se interessa

bem mais pela segunda — tanto ouro

nas almas se perdendo… A vida é essa.


E o mais que se dissipa em schiaparellis,

balenciagas, espécies superfinas

(que não sei como pôr os erres e eles),

em peles balzaquianas e meninas.


Pedro-piloto-barca: a teu prestígio,

da vida este canhestro e mau aluno,

evitando de longe o curso estígio,

ganha a sabedoria de Unamuno.


No alto não me recebes, mas à porta,

os coros inefáveis surpreendendo,

cultivarei as minhas flores de horta:

a saudade do céu é um dividendo.


Antônio, Pedro, João: aos três oferto

esta saudade em nós, sem testemunho:

pois, se o homem rasteja em rumo incerto,

balões sobem ao céu, no mês de junho.

17/06/1956

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

verborragia

 







Você sabe o que significa "Verborragia"?



Falar em excesso, de forma fluente e com muitas palavras, mas com pouco ou nenhum conteúdo relevante, importância ou sentido, sendo um uso excessivo e muitas vezes vazio de linguagem, também chamado de verborreia ou verbosidade. Pode ser um sintoma em alguns transtornos psicológicos, como mania no transtorno bipolar, ou uma forma de aliviar a ansiedade em pessoas com fobia social, envolvendo um fluxo compulsivo de fala.



https://acidadedesantaisabel.blogspot.com/2012/11/malala-isabel.html




A Santa Isabel é boa

 





Isabel

A Santa Isabel é boa, 
mas há quem se dedique para o delito
 e isso não é bom.
A Cidade de Santa Isabel necessita de cadeias!?!?
O delito de outrora ainda repercute.
Não há bibliotecas públicas,
Não há camara pública 
ou sala de artes cenicas.
As artes plasticas
ficam consumidas
nos próprios gabinetes.
Pão e circo é na Europa.
Aqui é pão e água.
Poderia dizer
novamente
que o crime é bio-psiquico-social,
mas o fato é que
muda governo
e a cidade continua
com desfiles de carroças,
crueldade com animais,
tempo árido,
classe trabalhadora órfã.
Cadê a unidade popular?
Cadê a sabedoria sem cadeias?
A Santa Isabel é boa,
mas o delito é ruim.
Você já leu Materlinck hoje?
Com licença,
vou a ele.
Não há mais o que declarar.
Findo o termo.
Até o próximo delito.

Jacquesja@zaz.com.br