sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Encontro dos Kujás





A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da área técnica de atenção à saúde dos povos indígenas, irá apoiar a Comunidade Kaingang na realização do V Encontro dos Kujás - Fortalecendo a Medicina Tradicional Kaingang. A abertura do evento ocorre nesta sexta-feira, 21, às 9h, na Aldeia Tupe Pen (rua Professor Padre Werner, 77, bairro Tristeza) . 
 
O evento ocorre a cada dois anos. Na oportunidade Kujás (pajés), parteiras tradicionais, rezadores, cozinheiras e os dançadores guerreiros ensinarão práticas em saúde realizadas a partir de conhecimentos milenares, o que tem sido traduzido como sistema de medicina tradicional. 
 
Conforme o Kujá, Jorge Garcia, o horizonte da medicina tradicional kaingang é a saúde, não a doença ou a cura. "O trabalho dos Kujá abrange o tratamento do corpo das pessoas e da terra em que elas vivem, pois sem terra não temos saúde, a mata é nosso hospital", aponta. 
 
Durante os três dias do encontro, os indígenas kaingang prepararão remédios com ervas do mato, comerão alimentos ensinados pelos seus avós, realizarão cantos e danças, a fim de fortalecer seus corpos e seus vínculos com a terra e com a mata por meio de várias práticas. 

Imagem e texto extraido do site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Feliz Aniversário




Feliz Aniversário

      A felicidade de saudar a vida.
      Parabéns, parabéns, pelo seu aniversário. No dia dezenove de novembro de dois mil e nove os garotos vieram ao mundo. Fiquei muito feliz. Comemorei a chegada de cada um deles: Meigo, Máscara, Feroz, Predileto, Chaveiro e Tililim.
      Tili já partiu. Essa é a parte que dói mais. O processo de despedida deste filho é ainda uma marca importante e por isso merece este registro.
      A vida que ganhei após a chegada deles é o grande saldo positivo. Claro que também aprendi um pouco sobre saúde e doença canina, por exemplo. Aprendi a confiar e também a desconfiar na medicina veterinária. Entre outras coisas.
      Mas venho aqui especialmente para dizer: Muito Obrigado! Muito Obrigado filhos, por existirem. Muito obrigado família por viverem tudo isso comigo. Obrigado Pai Eterno e Mãe Divina por me permitir esta troca intensa de Amor e Respeito com os meus.
      Uma mensagem para finalizar esta comunicação:
      Adote!
Bixo não é lixo!
Não abandone animais, por favor!
Busca entender o que ocorre no teu entorno. Os teus semelhantes são os humanos e os não-humanos.

Compaixão é a palavra. Namastê.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Lua de Novembro





A Lua de Novembro

A Lua. A Granja e a Viajem.
Gostaria de iniciar esta comunicação com “A Granja”. Trata-se de um estabelecimento comercial do ramo “Pet” estabelecido aqui na cidade. São locatários de um prédio da família Furlan situado na Avenida Liberdade, Santa Isabel, Viamão. Pois, saibam os senhores que os empresários citados, com a aquiescência dos proprietários do prédio “assassinaram três indivíduos vegetais adultos” que moravam em frente ao prédio. Família tradicional, empresários prósperos enlodados por uma pérfida e intragável inconsciência ecológica. O que eu quero pedir para você que tem consciência ecológica? Se agregue a nós e boicote “A Granja”. Por favor e se encontrar a Dona Corinda na rua (proprietária do prédio) proteste também.
Vamos viajar? São Miguel é logo ali. Está tudo pronto para a expedição científica IFCH/UFRGS. Será uma espécie de “batismo” para esta turma de iniciados nos “mistérios da arqueologia”. Rogamos aos deuses pelo êxito completo da atividade. A comunidade de Santa Isabel sentirá a nossa ausência, especialmente no PEV. Mas, gostaria de tranqüilizar a todos, pois em breve retornaremos cheios de novidades e muitas história para contar.
É noite de lua. Canta Zé: Mistérios da Meia-Noite, Que voam longe, Que você nunca, Não sabe nunca, Se vão se ficam, Quem vai quem foi... (...). Zé Ramalho. Eu gosto muito dele. Canta Zé: Impérios de um lobisomem, Que fosse um homem, De uma menina tão desgarrada, Desamparada se apaixonou... (...) Eu fico por aqui, agradecendo a atenção de todos. Aproveitem a noite. Está linda e poderosa.
Namastê.







ANEXO


Para que se possa compreender a história de Íbico, que se segue, é necessário lembrar, primeiro, que os teatros dos antigos eram edificações enormes, capazes de conter de dez a trinta mil espectadores e, sendo utilizados somente durante as ocasiões festivas, com admissão franca para todos, habitualmente ficavam lotados. Não tinham teto, sendo abertos e expostos ao firmamento, e as apresentações eram durante o dia. Em segundo lugar, a aterradora apresentação das Fúrias não foi exagerada nesta história. Ficou registrado que Ésquilo, o poeta trágico tendo em certa ocasião se apresentado às Fúrias com um coro do cinquenta vozes, aterrorizou tanto aos espectadores que muitos deles desmaiaram ou ficaram em convulsões, e os magistrados proibiram apresentações dessas daí por diante.
Íbico, o poeta piedoso, estava de caminho para as corridas de carros e competição musical no Istmo de Corinto, que atraiam todos os que fossem de ascendência grega. Apolo dotara-o de talento no canto e com dulcíssimos lábios de poeta;prossegui no seu caminho todo alegre, grato ao deus. As torres de Corinto já coroavam o horizonte quando entrou, com respeito piedoso no bosque sagrado de netuno. Não havia nenhuma criatura viva a vista, só um bando de garças voava ao alto, na mesma direção que ele, ou seja, migravam para uma região mais austral. “Boa sorte a vós, ó! Esquadrões amigos!, exclamou ele “meus companheiros dos outro lado do mar. Considero a vossa companhia como um bom agouro. Viemos de longe e vamos à procura de hospitalidade. Desejo que tanto vós como eu tenhamos a espécie de hospitalidade que guarda o hóspede forasteiro de todo o mal!”
Continuou andando vigorosamente e em pouco tempo chegou ao meio do bosque. Ali, de repente, dois ladrões apareceram e barraram-lhe o caminho. Ele tinha de ceder ou lutar. Mas a sua mão que estava acostumada à lira e não à luta. Com armas era inofensiva. Pediu aos deuses e aos homens que o auxiliassem, mas os seus apelos  não atingiram os ouvidos de qualquer defensor. “Então, é aqui que tenho que morrer”, disse ele, “numa terra estranha, morto por bandidos, sem ser lamentado nem haver quem me vingue?” Fatalmente ferido, caiu ao chão, quando foi ouvido o canto rouco dos pássaros. “Tomai a minha causa, vós, ó garças!” disse ele, “já que nenhuma voz, exceto a vossa, me responde”. Dizendo isso, fechou os olhos e morreu.
O corpo, roubado e mutilado, foi encontrado e, embora desfigurado pelos golpes e feridas, reconhecido pelo amigo de Corinto que o esperava como hospede. “É assim que me apareces?” exclamou ele. “Eu que esperava adornar a tua testa com uma coroa de triunfo na competição de música?”
Os hospedes que se reuniram para o festival souberam da notícia cheios de consternação. Toda a Grécia sentiu a perda e todos os corações choraram. Aglomeraram-se em redor do tribunal dos magistrados e exigiram a sua vingança e castigo com o sangue dos assassinos.
Mas que indicação ou marca poderá apontar o perpetrador do crime no meio da vasta multidão atraída pelo esplendor da festa? Teria sido morto por mãos de bandidos ou de algum inimigo particular? Só o sol que tudo vê poderia dizer, pois olhos nenhuns haviam visto. Mas não era improvável que nesse momento o assassino andasse entre as multidões, gozando dos frutos de seu crime, enquanto a vingança o procurava em vão. Talvez, mesmo dentro dos seus templos, desafiasse ele os deuses e se misturasse à vontade com a multidão que enchia o anfi-teatro.
Pois agora a multidão se junta, fila sobre fila, enchendo todos os lugares, parecendo até que a edificação cairia sob o seu peso. O murmúrio das vozes parece-se com o rugido do mar, enquanto os círculos das bancadas ao ascender são maiores, degrau sobre degrau, subindo e parecendo querer atingir o céu.
E agora a vasta assembleia escuta a formidável voz do coro, personificando as Fúrias; em vestimentas solenes, avançam com passos medidos e seguem pelo circulo do teatro. Seriam mulheres mortais, essas que compõe o grupo aterrador, e será que este vasto concurso de figuras silenciosas não sejam entes vivos?
As coristas, vestidas de preto, seguravam em suas mãos magras, tochas ardendo com uma chama negra. Suas faces estavam pálidas e, em vez de cabelo, serpentes enroscavam-se e sibilavam em volta de suas frontes. Formando um círculo, essas aterrorizadoras criaturas cantavam seus hinos, amedrontando o coração dos criminosos e dos culpados, paralisando-os de medo cada vez mais. Mais alto e mais forte cantavam, afogando o som dos instrumentos, congelando o raciocínio, enfraquecendo o coração e coagulando o sangue.
“Feliz o homem que conserva o seu coração livre de culpa e crime! A esse, nós, as vingadoras, nada lhe faremos; ele caminhará pela vida sem receio de nós. Mas desgraça! Desgraça! Para aquele que cometeu o ato de assassínio em segredo. Nós, da medonha família da noite, desse nos apoderaremos completamente. Ele poderá julgar que nos pode escapar, mas somos mais rápidas na perseguição e ataremos os seus pés com as nossas serpentes, e forçá-lo-emos a cair no solo. Persegui-lo-emos sem nos cansar; e a compaixão jamais nos deterá: sempre, mais e mais, o perseguiremos até o fim da vida, e não lhe daremos paz nem descanso”. Assim as Eumênices cantavam, e avançavam em cadencia solene, enquanto um silencio, como o da morte, pairava sobre toda a assembléia, como se estivessem na presença das criaturas sobrenaturais que representavam; e então, em marcha solene, completando o circuito do teatro, saíram pela traseira do palco.
Todos os corações tremiam entre a ilusão e a realidade, e todos os peitos arfavam de terror indefinido, aterrorizados pelo formidável poder que observava os crimes secretos e fiava o novelo do destino. Nesse momento ouviu-se um grito de um dos bancos mais altos: “Olha, olha, camarada, lá estão as garças de Íbico.” E de repente apareceu voando alguma coisa escura que, depois de inspeção, viu-se ser um bando de garças voando mesmo sobre o teatro. “De Íbico?”, disse ele. Esse nome querido reavivou o luto em todos os peitos. Assim como uma onda segue a outra sobre a superfície do mar, assim correram de boca em boca as palavras “De Íbico! Esse a quem lamentamos, a quem mãos assassinas abateram! O que tem as garças que ver com ele?” E mais alto tornou-se o estrondo das vozes, enquanto que, com a velocidade de um raio, o pensamento seguinte atravessou todas as mentes: “Observai o poder das Eumenides! O piedoso poeta será vingado! O assassino traiu-se! Agarrai o homem que gritou e o outro a quem ele falou!”
O culpado teria anulado as suas palavras, mas era muito tarde. Os rostos dos assassinos, pálidos de terror, indicavam a sua culpa. O povo conduziu-os até aos juízes, perante quem confessaram o crime, recebendo o castigo merecido.


Transcrição literal das páginas
Páginas 178-180
Do livro Mitologia Geral – idade da fábula
Autor: Thomas Bulfinch
Belo Horizonte, 1962.